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domingo, 2 de setembro de 2012

Regionalismo Crítico

 

“Uma região pode desenvolver ideias. Uma região pode aceitar ideias. A imaginação e a inteligência são necessárias para ambas as coisas”

Kenneth Frampton –  História crítica da Arquitetura Moderna

 

ITV Paulo Mendes Rocha

 

O progresso da humanidade está implícito ao fenômeno da universalização, destruindo, contudo, os núcleos éticos e culturais das grandes civilizações e das culturas tradicionais, levando a conflitos. Uma nação para se desenvolver tem de se desenraizar de algum modo do seu passado e racionalizar-se científica e tecnicamente. Nem todas as culturas conseguem absorver o impacto da civilização moderna. O ideal seria um progresso aliado às origens.

O regionalismo crítico pretende identificar determinados fenômenos regionais (cultura,mito, artesanato, clima) e interagi-los e integrá-los com determinados “serviços” úteis para a prosperidade da região. A representação disso no futuro dependerá da nossa capacidade para gerir formas de cultura regional, onde se incorporem influências externas de outras civilizações. É importante respeitar a topografia, os materiais da região, o artesanato, as subtilezas da luz local; um respeito que se sustém sem cair no sentimentalismo de excluir as formas racionais e técnicas modernas. A cultura regional não deverá ser algo dado e imutável,mas um dado consciente.

O regionalismo crítico manifesta-se como uma arquitetura conscientemente delimitada, dando especial realce ao enquadramento tectônico da obra, estabelecendo limites físicos e temporais ao arquiteto. O princípio regional alimenta a cultura local embora sempre aberta à admissão e assimilação de ideias procedentes do estrangeiro. A força da cultura provinciana reside na sua capacidade para condensar o potencial artístico e crítico da região ao mesmo tempo que assimila e interpreta as influências externas.

Casa da Ponte

Kenneth Frampton aborda diversos conceitos culturais e arquitetônicos com a referência a vários locais, onde demonstra a capacidade de simbiose entre os aspectos tradicionais e culturais e outros elementos alheios às diferentes civilizações. Referência a vários arquitetos e às suas obras com tendências regionalistas, entre outros Bohigas, Coderch ambos da escola de Barcelona, vivendo uma situação cultural complexa no ante guerra, obrigados por um lado a obedecer aos valores tradicionais e   por outro à responsabilidade política; Álvaro Siza, cujas obras são sempre respostas às paisagens onde são inseridas e respeitando os materiais e as condições locais; Abraham e Barragan cujas casas adotam uma forma topográfica. Nas obras deste último são bem visíveis as marcas da sua origem mexicana, tendo absorvido as suas influências e embora modernizado, foi sempre muito crítico em relação aos vários aspectos da vida quotidiana moderna. Critica as condições de vida quotidiana atuais e a falta de intimidade que nos invade através do rádio, televisão, telefone; o afastamento cada vez maior entre os seres humanos e a natureza, mesmo quando saem das áreas urbanas, devido ao “encerramento” do homem no automóvel.

Distinguem-se dois tipos opostos de regionalismo crítico: o restringido e o liberado. Este permite uma maior liberdade de expressão; são sintonizados os pensamentos surgidos na época e nesse lugar, de forma mais consciente e mais livre do que o era tradicionalmente; a sua virtude é que a manifestação desse regionalismo tem significado também para o mundo exterior a ela. Para o expressar de maneira arquitetônica é necessário construir  bastante – muito e em pouco tempo. O Movimento Moderno dirige-se à universalidade; encerrado a estilos de vida individuais e à diferenciação regional. É difícil expressar através de um vocabulário aberto e internacionalista, as sensibilidades, os costumes, a consciência estética, a cultura diferenciada e as tradições sociais.

Usuário do Scribd “Bettylolas”

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Arte Egípcia

Vue du sphinx et de la grande pyramide, prise du sud-est. Cuivre - Schroeder - 43,2 x 60 cm - Eau-forte, burin

Quando pensamos em mostra artística egípcia temos um padrão de pensamento beirando a unanimidade: pirâmides e desenhos de pessoas quase sempre na mesma posição corporal e sem nenhuma feição.

Não é para menos: a característica mais marcante de arte egípcia, além da forte aproximação com a esfera religiosa, é justamente as formas geométricas bem definidas e os corpos todos em padrão.

Era de costume desse povo que, quando alguém muito importante morresse, fossem mortos também seus servos para que acompanhassem até a chegada aos céus. Percebendo a pouca praticidade dessa atitude, o sacrifício dos servos foi substituído pelas pinturas. As pirâmides serviam como grande cemitério guardando os corpos de diversos nativos e, para acompanhar a chegada dos mesmos aos céus, eram feitos desenhos nas paredes de suas tumbas. Essa atitude vem de um ato mais antigo praticado pelos povos primitivos: os desenhos feitos nas cavernas (as pinturas rupestres) não contavam histórias, mas sim exprimiam desejos. Os caçadores primitivos acreditavam que se fosse feito uma imagem de sua presa os animais verdadeiros sucumbiriam ao seu poder. Uma conjectura, pois bem, mas muito bem apoiada.

Para ser artista nessa época que se iniciou por volta de 3.000aC, era preciso seguir regras de representação. O imperador deveria ser a figura humana em maior escala; sua esposa, seus filhos, seus servos e qualquer outra figura humana deveria ter um tamanho notavelmente reduzido; as estátuas sentadas deveriam ter suas mãos levadas ao joelho; homens deveriam ser pintados com cores mais escuras em relação às mulheres; o Rei Anúbis deveria ser representado com uma cabeça de chacal e Hórus com cabeça de falcão.

deus_anubis

Outro ponto importante na arte egípcia é o de que todo o desenho era representado na sua forma mais característica. Para compreender tal, basta olhar ao desenho. O rosto é melhor visto quando de perfil e apesar disso, os olhos eram sempre desenhados como se estivessem de frente; os ombros, também desenhados de frente, asseguram o seu melhor ângulo e, reparem, dois pés esquerdos mostram que os artistas da época ignoravam os dedos.

Essa tradição rigorosa sofreu um abalo com a chegada da 18ª Dinastia, em 1360aC com o imperador Akhnaton. O imperador era devoto do deus Aton e não ligava para a rigidez da época. Os desenhos, durante aproximadamente 30 anos, tomaram formas diferenciadas: auréolas e raios solares ao fundo como representação religiosa, homens e mulheres desenhados na mesma escala e na mesma cor, mãos pousadas fora do joelho e os dedos dos pés, por fim, foram exibidos. Essa expressão durou até mais alguns anos no reinado de Tutankhamon que não demorou muito e fez-se restaurar as velhas crenças.

Tutankhamon

Quanto às edificações, eles desprezavam a linha curva e faziam constante uso de verticais e horizontais e, a partir delas, o triângulo, que tinha um significado mágico a esse povo. De estrutura simples e regular, os templos tinham temática mortuária (como quase tudo o que esse povo criou), ganhando destaque o Templo da Rainha Hatshepsut e a Tumba de Tutankhamon. O posicionamento de todas as construções seguia o conceito de força vital emanada pelo sol como reguladora do ciclo da vida e da morte e era pelo curso do Nilo que essas construções se orientavam.

Quando olhamos para toda a monumentalidade das obras egípcias, é de se perguntar quanto tempo e quanto esforço fora gasto. Tempo já estamos certos que não fora muito: há especulações que as Pirâmides de Gizé tenham levado 20 anos para serem finalizadas, o que pode ser um prazo bem curto, levando em consideração que os egípcios trabalhavam nas obras durante 5 meses no ano. Esses 5 meses se referem ao período de baixa(seca) do Nilo, em que a agricultura se tornava quase inviável.

Zoser

Imhotep, o primeiro arquiteto da história conhecido por nome, trabalhou por volta de 2.778 aC no complexo funerário de Zoser, Sakkara. A construção é uma pilha de mastabas, o que originou as pirâmides em suas formas mais conhecidas. Nesse período, o uso de materiais construtivos se resumem a pedra e argila.

Os egípcios viam sua arte como o ápice da perfeição e acreditavam que ela jamais se abalaria. Seguindo esta linha de raciocínio, é de se perceber que os egípcios construíam para a eternidade. Até hoje suas obras são alvo de estudos que não conseguem chegar além de especulações.

 

Fonte: Gombrich, E. H. “História da Arte”, LTC, Rio de Janeiro, 2008.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Arquitetura Gótica

Como eu fiz com o post do Circumponto, resolvi complementar o ESTE POST de Arquitetura Gótica, agora com mais informações acadêmicas.

Preparados? Let’s start…

igrejagotica

O estilo Gótico surgiu no final da Idade Média, por volta do ano 1.100, na Europa, após o período românico. Os constantes saques que ocorriam nessa época fizeram com que a população fugisse dos campos e se refugiassem nos feudos. Elas se organizaram nessas corporações visando um crescimento cultural e chegaram a adquirir um certo orgulho citadino. Lembrando que, por mais turbulenta fora essa época, a Igreja não perdeu sua autoridade.

Considerada o berço do Gótico, a França viu nascer o estilo através da junção do arco ogival (abóbada) com os arcobotantes(que distribuiam parte da carga da parede). Essa combinação deu a possibilidade de se construir paredes mais finas e com mais vitrais.

As características desse estilo são óbvias: construções gigantescas, vitrais coloridos, gárgulas, contrafortes, estátuas, abóbadas, rendilhados, arcos e capitéis característicos.

Há classificadas 8 tipos de abóbadas, abobadagoticasendo essas: abóbada de cruzaria com seis arestas; abóbada de cruzaria com quatro arestas; abóbada estrelada; abóbada de liernes; abóbada colmeia cilíndrica; abóbada corola/leque; abóbada polinervada e abóbada reticulada.

Os capitéiscapitelgotico contam com 6 classificações, sendo: capitel de bulbo (vindo do Gótico Primitivo); capitel com pratos (do Inglês Primitivo); capitel com folhagem (Gótico Tardio); capitel cálice de meia coluna; capitel mísula estátua e mísula com folhagem.

arcogoticoE os arcos recebem até 12 nomes, sendo: arco ogival/abatido/rebaixado; arco normal/equilátero; arco de volta elevada/lanceta; arco trilobado/3 centros/redondo; arco de ponta; arco flamejante e arco flamejante do gótico tardio; arco lombo de asno; arco com dentículos; arco lintal e arco Tudor.

De país para país, o estilo guarda algumas peculiaridades. Na França a fachada dos templos possuem duas torres ornadas com rosáceas; na Alemanha há apenas uma torre central pontiaguda com coruchéu rendilhado; já na Inglaterra, as abóbadas recebem filigranas. A Itália que surgiu mais ou menos nessa época e nem se chamava Itália, repudiava o Gótico. Portanto, essa área da Europa não possui muitas obras desse estilo.

 

arquiteturagotica

 

Dentre as catedrais que receberam grande notoriedade pelo estilo, estão a Beauvais na França, com uma altura descomunal e história que marcou o limite da engenharia civil: sua agulha com 150 metros caiu, mas não por isso a Catedral perdeu seu deslumbre. A Chartres na França conta com complexos sistemas de arcobotantes e vitrais que, segundo Abade Suger, “para os humildes que não sabem ler a Palavra, as imagens nas janelas mostram-lhes em que acreditar”. A Catedral de Ulm na Alemanha conta com as agulhas mais altas do estilo gótico: 150 metros (e nenhuma queda). Famosa pelos arcobotantes, temos a Bourges; famosa pelo rendilhado a St.Denis entre muitas outras.

Por mais que o estilo seja naturalmente francês, é na Inglaterra que se encontram as catedrais góticas mais estonteantes. Isso se dá pelo uso da madeira em seu interior (coisa que não era corriqueira, já que a madeira era usada penas em construções de pouca Angel.Roof.St.Wendredaimportância). Um exemplo é a Sta.Wendreda(imagem), St.Stephen’s Hall e Ely. Outras construções góticas que utilizavam muita madeira eram as casas mais humildes com a técnica do cruck frame e algumas igrejas na Noruega e Suécia (terras com muitas florestas).

Há quem considere o estilo gótico algo totalmente ligado à religião. Não é de se negar que a maioria das construções do estilo seguiam de fato essa premissa, mas outro fator não deve ser dispensado. O progresso econômico e a vontade de exibir o poder eram fatores mais presentes inclusive em edificações cívicas do gótico secular. O Salão de Tecidos de Ypres, o Palazzo Ducale, assim como as prefeituras de Florença e Siena ilustram bem essa afirmação.

Para finalizar, o estilo audacioso considerado a glória da Europa foi se dissipando no Gótico Tardio, por volta do século XVI. A Itália já detinha o Renascimento e as invenções góticas já não existiam mais. Podemos considerar como as últimas obras do estilo a Capela King’s College e a de Henrique VII (ambas na Inglaterra), que já continham traços renascentistas.

 

reims.gotic

 

Fontes:

Google Imagens e Sta. Wendreda gallery - official homepage.

Koch, Wilfried "Dicionário dos Estilos Arquitetônicos”, Martins Fontes, São Paulo.

Glancey, Jonathan. “História da Arquitetura”, Loyola, São Paulo, 2001.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Simbologia - Circumponto

Há alguns meses escrevi ESTE POST (foi um dos primeiros do Blog) no qual eu falava sobre o Circumponto. Reparei as origens de tráfico e muitos dos meus visitantes aparecem aqui justamente por este bendito post.

circumponto[3][6]Eis que voltei a falar do digno símbolo, deixando aqui tu-do ou quase tudo que aprendi tanto na universidade quanto em livros de literatura e em livros de psicanálise. Vamos lá…

O Circumponto tem diversos significados que variam de cultura a cultura e de tão antigo que é fica difícil dizer com certeza o momento histórico em que ele surgiu. Pode representar o Deus Rá (Deus egípcio), o ouro, o “olho que tudo vê”, a Pedra Filosofal… Não importa o que ele represente, a sua essência é a constante.

Não há forma de falar do Circumponto sem antes falar do Círculo. A maioria dos símbolos faz alusão ao círculo e isso é um tanto óbvio, pois eles vão se modificando de acordo com as concepções e ideias de seu povo. Temos o exemplo do Ouroboros, do Infinito, a Mandala, o Yin Yang, Tríplice… Símbolos egípcios, pagãos, celtas e tantos outros originam do simplório círculo e o circumponto, evidentemente, não é diferente.

ouroborosO círculo guarda na sua forma, independente da interpretação cultural ou religiosa, o seu significado de estabilidade, perfeição, infinito. Ele não tem um começo, não tem um fim nem fragilidade no seu elo e todos os símbolos que se originam do círculo terão na sua essência esses adjetivos. O Ouroboros(imagem), por exemplo, símbolo alquímico(?) originado do círculo perfeito representa evolução e eternidade, ilustrando a Teoria do Eterno Retorno de Nietzsche.

Aos egípcios, o círculo era sagrado por lembrar o formato do ovo, referência à criação do universo.

circumponto.PantheonOs Romanos eram convictos de que o círculo era um símbolo sagrado, e de tão sagrado o botavam no alto de entradas (portas com topo arredondado) de templos religiosos, pois, ao passar por aquele símbolo, ao adentrar aquele símbolo, você passava a estar num lugar sagrado, de culto. No Paganismo Wicca e no Ocultismo o círculo se torna palco e casa de seus rituais basicamente com a mesma proposta da convicção romana acima: quem aqui adentrar estará em um ambiente sagrado. Além, claro, de acreditarem que o círculo é gerador de fluxo para suas cerimônias, rituais… O mesmo acontecia bem antes (suposições de historiadores) no Stonehenge: as pedras estão dispostas como em um ritual.

O Circumponto, círculo perfeito com um ponto ao centro, dentre as “teorias” mais aceitáveis, está a de que em meio ao círculo carregado de todo o simbolismo que acabei de citar (estabilidade, perfeição e infinito) o ponto simboliza o surgimento, o nascimento, o início.

Na Astrologia e Paganismo o Circumponto representa o Sol. A relação do Paganismo e do Sol é a mais estreita possível, já que a religião cultuava a natureza e reservava um dia da semana(domingo) para cultuar única e exclusivamente o Sol.

obeliscoNas Artes e Arquitetura o Circumponto pode aparecer como na vista de cima de Obeliscos, em quadros de Dürer, no afresco “Apoteose” de Brumidi… O Obelisco reforça a ideia de “nascimento” que o Circumponto pode transmitir: a obra em si representa um órgão masculino adentrando na vagina da Mãe Natureza… Me desculpe se acabei com suas ilusões. É a mais pura verdade transmitida em sala de aula!

Tem-se, então, o significado do Circumponto como basicamente a vida, o início. Estão satisfeitos agora? rs

Lembrando que o “alfa”, o gerador é o Círculo!! O Circumponto é uma variação, não menos importante, mas que assim como todos os símbolos originados do círculo, guarda uma essência em comum [com os outros símbolos].

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A origem das favelas

 

Foto-favela

“É absurdo dizer que as favelas

são não-arquitetura. Se alguém faz

uma pintura, mas não é um pintor qualificado,

significa que o que pintou não é uma pintura?”

Sean Scully

 

Os problemas urbanos sempre existiram. As favelas são hoje um dos maiores ícones de subdesenvolvimento das cidades por serem palco da miséria e outros tantos problemas sociais como o tráfico de drogas, a falta de saneamento e salubridade, segregação socioespacial e descaso com a população.

O termo “favela” surgiu após a Guerra de Canudos (1896). Os soldados, ao voltarem ao Rio de Janeiro, ficaram desabrigados pelo fato de terem exigido do Governo casa própria e por lhes terem sido negado. Começaram, então, a habitar temporariamente alguns morros, juntamente com desabrigados e ex-escravos (o primeiro morro habitado foi o morro da Providência). Batizaram de “favela” referenciando uma planta resistente à seca encontrada em morros, no Nordeste, perto da cidade em que combateram.clip_image002[4]

Até então pequena e despretensiosa, a favela cresceu demasiadamente bem com a Revolta da Vacina de Oswaldo Cruz em 1904 no Rio de Janeiro, impondo a destruição dos cortiços. O famoso “bota abaixo” visava o fim dos cortiços a fim de terminar com a varíola e outras doenças que se proliferavam nesse vetor carente de salubridade. No lugar dos quase 1.600 casarões foram construídos edifícios e jardins, e a população desabrigada sem amparo governamental tratou tão logo de buscar abrigo: seu achado foram as favelas, até então provisórias, dos soldados.

Em 1980, com o fim da Ditadura que arrasara cerca de 80 comunidades irregulares, as favelas voltam com mais força com o incentivo governamental de legalização das favelas.

A partir de 1990, já com a verticalização da mesma, podemos associar seu crescimento a diversos fatores como a crescente industrialização; as transformações das relações de trabalho no clip_image005[4]campo; o êxodo rural; a expropriação de pequenos proprietários rurais (reflexo do capitalismo) entre outros. A busca nas capitais por melhores condições de vida fizeram com que as favelas se tornassem um dos maiores problemas urbanos de quase todos os países, sendo mais frequente na América Latina e África. Segundo IBGE, estima-se que em 2020 haverá, em escala mundial, 1,4bi de pessoas morando em favelas com uma renda média de três salários mínimos.

Entre as características desse tipo de habitação no Brasil, podemos destacar:

- apropriação irregular de terreno;

- ausência de segurança, salubridade e saneamento;

- vínculo com o tráfico de drogas e mercado ilegal de armas;

- ausência de instalação elétrica adequada.

Os problemas que a favela acarreta se volta contra a sociedade, inevitavelmente. Apropriando-se irregularmente do terreno, ela segrega a população, incita ao preconceito, expõe a riscos a vida das pessoas que a habitam e degradada o meio-ambiente. A população de favelas fica suscetível a perder seus bens e familiares com deslizamentos de terra e enchentes e o lixo todo produzido por essa população dificilmente é descartado corretamente, poluindo a área. Ainda sem contar os freqüentes conflitos com o tráfico de drogas que fazem da favela palco do crime e da guerra urbana, expondo ainda mais a integridade dos inocentes que lá habitam.

clip_image007[4]Urbanizar a favela ou remove-la? Essa resposta nem o Governo, que vem investindo em políticas de urbanização e ao mesmo tempo de remoção, sabe responder. Nasceram despretensiosamente e sempre contaram com o descaso governamental e social; hoje o tema Favela recebe notoriedade na mídia e ainda há muita coisa para se fazer para melhorar as condições de vida dos usuários desse espaço que padecem sem o direito à urbanização.

Diminuir a segregação socioespacial e garantir um maior conforto e segurança aos favelados é também uma questão que deve ser intervinda pela Arquitetura e pelo Urbanismo, pois além de ser uma tipologia habitacional recorrente na atualidade, ela faz parte da realidade das cidades.

sábado, 29 de outubro de 2011

Le Corbusier - Biografia

 

Nascido em La Chaux-de-Fonds, Suíça, aos 6 de Outubro de 1887 e batizado de Charles-Edouard Jeanneret-Gris, Le Corbusier, que adotara o pseudônimo aos 30 anos, é considerado um dos maiores arquitetos do século XX, delimitando com nitidez a arquitetura moderna e causando grande impacto na história da mesma.

Filho de Georges Edouard Jeanneret, gravador de relógio, e de Marie-Charlotte Amelie Jeanneret Perret, musicista, Corbusier levou para suas obras a essência calvinista de sua família que sempre deixou bem acentuado a divisão entre o bem e o mal. Esse reflexo pode ser encontrado no contraste entre sombra e luz de suas edificações, segundo o crítico Kenneth Frampton[¹]. 

                                                         “Meus anos de infância se passaram com meus colegas em meio à natureza. Meu pai, aliás, dedicava um culto corbusier_cropapaixonado às montanhas e ao rio que formavam nosso lugar. Estávamos constantemente nos cumes: o imenso horizonte nos era costumeiro. Quando o mar de nevoeiro se estendia ao infinito, era como o verdadeiro mar – que jamais eu vira. Era o espetáculo culminante. A idade de adolescência é a idade da curiosidade insaciável. Fiquei sabendo como eram as flores por dentro e por fora, a forma e a cor dos pássaros, compreendi como cresce uma árvore e por que se mantém em equilíbrio mesmo em meio ao temporal.” [²]

 1 Estudou na Escola de Arte Aplicada de La Chaux-de-Fonds e se formou gravador e designer de relógios. Aos 18 anos, junto com Louis René Fallet Chapallaz, projetou sua primeira casa, a Villa Fallet que trazia tudo o que aprendera com seu mestre Charles L’Eplattenier, muito ligado a Owen Jones e a Grammar of Ornament.

Seu mestre L'Eplattenier, que o inserira na arquitetura por ter notado o talento do jovem, almejava que seu melhor aluno se tornasse aprendiz de Josef Hoffmann. Para tal, enviou-o para Viena, em 1907, mas Corbusier rejeitou a oferta de trabalho de Hoffmann por ter se afeiçoado mais ao utopismo de Tony Garnier em que a nova arquitetura dependia dos fenômenos sociais. Esse encontro com Garnier somado à visita ao Convento de cartuxos de Ema na Toscana, onde Corbusier ficou admirado pelo espírito comunitário, seria um ponto de transformação na vida e nas obras dele. O seu projeto Immeuble-Villa e quase todos os seus conjuntos residenciais trazem referencias gritantes do convento de Ema.

“…Esse homem sabia que o nascimento iminente de uma nova arquitetura dependia de fenômenos sociais. Seus planos revelavam uma grande facilidade. Eram consequência de um século de evolução arquitetônica na França.” Le Corbusier sobre Garnier[¹].

Em 1908, Corbusier foi empregado de Auguste Perret, em Paris, onde aprendeu o básico sobre concreto armado e foi convencido que aquele era o material do futuro. Ao mesmo tempo, esteve em contato com a cultura clássica parisiense, o que, mais uma vez, frisou o contraste encontrado em suas obras que remonta desde o tempo em que viveu com seus pais.

Com essa bagagem bem variada, em seu retorno a cidade natal em 1909, Corbusier projetou um edifício em concreto armado, com três alas escalonadas de ateliês, com jardins fechados postos em um espaço comunitário central coberto por um telhado piramidal de vidro. Não somente nesse projeto, mas em todos os demais assinados por Corbusier, pode-se ver as inúmeras referencias tipológicas com antecedentes espaciais diversos alinhados numa só concepção de obra. Essa mistura de passado e presente e seu amontoado de experiências postas todas juntas, tornam-se característica marcante do Corvo.

A mando da escola de arte de La Chaux-de-Fond, Le Corbusier viajou à Alemanha (1910) e teve contato com a raiz do Bauhaus, o Deutsche Werkbund e seus principais expoentes como Peter Behrens e Heinrich Tessenow. Construiu, mais tarde, a Villa Jeanneret Père e o Cinema Scala com influencia do Werkbund. Trabalhou no escritório de Behrens, conheceu Mies van der Rohe e, antes de voltar à Suíça, fez uma viagem pela Ásia Menor e aderiu à arquitetura otomana.

Já no ano de 1913, depois do rompimento definitivo com L’Eplattenier, abre seu próprio escritório com o objetivo de se especializar em béton armé. Dois anos mais tarde, junto de Max du Bois, desenvolveu a ideia de reinterpretação da estrutura Hennebique de concreto armado com a Maison Dom-Ino (a base estrutural para suas casas até os próximos 20 anos); e a Villes Pilotis, uma cidade sobre pilastras.

250px-Villa_SchwobA construção da Villa Schwob (1916) ou Villa Turque, foi um resumo feliz de toda sua experiência do sistema Hennebique. Fora a primeira vez que Corbusier empregou seus ainda poucos conhecimentos sobre proporção divina (seção áurea). Com essa criação, deu abertura a mais outras duas casas no estilo palácio: a Villa Burguesa e a habitação coletiva.

Mudando-se para Paris, em 1916, Corbusier conheceu o pintor Ozenfant com o qual desenvolvera a estética do Purismo de forma a abranger todas as formas de expressão. Tal filosofia resultou num ensaio “Le Purisme” publicado em 1920 na L’Esprit Nouveau (revista artística publicada até 1925). Nesse período, nasce a “Esthétique et architecture de l’ingenieur”, a Estética do Engenheiro.

Antes do início da Segunda Guerra Mundial, Corbusier trabalhou com seuMaison Dom-Ino primo, Pierre Jeanneret, desenvolvendo as ideias centrais da Villes Pilotis e Dom-Ino. A Dom-Ino abria um leque de interpretações de diferentes pontos de vistas: ao mesmo tempo que era considerada um recurso de produção, era também um jogo com a palavra “dominó” com suas colunas livres e postas dentro de uma simetria. Com tal efeito da Maison, Corbusier desejava ver essa obra como um objeto a ser produzido em escala: o objet-type.

“Se eliminarmos de nossos corações e mentes todos os conceitos mortos a propósito das casas e examinarmos a questão a partir de um ponto de vista crítico e objetivo, chegaremos à “máquina de morar”, a casa de produção em série, saudável (também moralmente) e bela como são as ferramentas e os instrumentos de trabalho que acompanham nossa existência.” [¹]

Em 1922 vieram, a partir do ideal da Maison Dom-Ino mas com melhorias, a Maison Citrohan e a Ville Contemporaine. A Citrohan surgiu com o pé direito duplo com um mezanino-dormitório para melhor aproveitamento da entrada de luz solar. A concepção da obra ocorreu cinco anos mais tarde, junto com o emprego do purismo cromático na arquitetura, onde a cor das casas tinha grande relevância para obter uma harmonia com o meio exterior.Ville Contemporaine Já a Contemporaine guardava toda a vontade de Corbusier de desenvolver conotações urbanas; almejava um centro administrativo de elite, e cidades-jardim para os trabalhadores na zona industrial, definindo com uma linha gritante aos olhos a parte da classe de elite urbana e proletariado suburbano. Essa cidade idealizada pelo Corvo fora projetada dentro das leis da seção áurea, e representava a divindade no centro comercial, como forma de substituir os templos religiosos.

A Ville Contemporaine era constituída por uma unidade batizada de Immeuble-Villa (célula-base de moradias de grande altura) com o intuito à produção em série e à agregação em alta densidade, sendo mobiliada segundo o purismo dos objets-types; um conjunto equilibrado de objetos populares, artesanais e industrializados que se manifestou contra o movimento Art Deco.

Em 1925, retomou ao tema da villa burguesa, primeiro fazendo a casa Cook, demonstrando Les 5 points d’une architecture nouvelle, seguindo-se a Meyer, Garches e a Savoye (umas das residências mais famosas do mundo). villa-savoye

Essas obras nasceram sob influência da estrutura de Hennebique aplicada na Maison Dom-Ino e das paredes laterais da Citrohan. Todas elas dependiam da sintaxe de 5 pontos, os quais foram os legados mais importantes de Corbusier sobre a nova arquitetura: os pilotis que suspendem a construção acima do solo; a planta livre(sistema viga-pilar) obtida mediante a separação entre as colunas estruturais e as paredes que subdividiam o espaço; a fachada livre, consequência da planta livre no plano vertical, abolindo as ornamentações; a fenêtre en longueur ou janela em fita, a longa janela corrediça horizontal e o terraço-jardim que supostamente recriava o terreno coberto pela construção da casa graças ao concreto-armado, aproveitando a laje como área de lazer.

Os primos Jeanneret desenvolveram, em 1927, o primeiro projeto para estrutura pública de grande escala para SdN (Société des Nations) em Genebra. Apesar de não terem sido escolhidos, o projeto exigira uma nova ótica da parte dos dois: antes estavam acostumados com projetos residenciais, simples e básicos; agora seria necessário a projeção de um palácio. Segundo Kenneth Frampton, esse evento na vida de Corbusier deve ser visto como um divisor de águas por ser o clímax do arquiteto e ao mesmo tempo a primeira crise da carreira. [¹]

Após esse evento, deixando de lado sua ideologia de que o objeto deve seguir os contornos do homem de modo a se aproximar da Estética do Engenheiro, Corbusier abandona a Immeuble Villa e troca pela Ville Radieuse. Um projeto de melhor produção em série, minimizando por completo os espaços e enchendo de funcionalidade. Uma mudança e tanto para quem havia projetado a Contemporaine pregando a divisão de classes e agora vê-se construindo a Radieuse completamente sem preconceitos ou distinção social.

Em 1929, antes de concluir a Radieuse, uma ida de avião ao Rio de Janeiro impressionou pela vista tropical do local. Logo imaginou uma longa estrada à beira-mar, 100 metros acima do terreno dando um espaço proposital para a feitura de residências. Esta mega-estrutura, a última nessa escala, recebeu o nome de Obus e foi concretizada em Argel.

Unite_d'Habitation_(Rightee_2)Algumas passagens pela Rússia em 1930 e seu contato com as moradias do país influenciaram na criação de sua “cidade industrial” que, em 1940 foram reformuladas e deram origem à Unité d’Habitation, uma das mais conhecidas obras de Corbusier que fora construída cinco vezes em três locais diferentes. A construção permitiu o emprego do sistema Modulor. O Sistema Modulor era baseado na razão de ouro e na Sequencia Fibonacci e usando também as dimensões médias humanas (dentro das quais considerou 183cm como altura standard), o Modulor é uma sequência de medidas que Le Corbusier usou para encontrar harmonia nas suas composições arquiteturais. Foi publicado em 1950 e depois do grande sucesso, veio a publicar, em 1955, a segunda edição.

Outros edifícios datados da primeira metade da década de 1930 são: Clarté, Pavillon Suisse e o Edifício do Exército da Salvação. Muito importantes na carreira de Corbusier por mostrar sua desilusão com a produção em série e por mostrar indícios de seu rompimento com a estrutura de concreto e alvenaria. Essa perda da fé na produção da máquina de morar veio, segundo Robert Frishman, quando Corbusier teve contato com cronômetros alemães produzidos em série e se lembrou da magia que produzia os relógios cuidadosamente talhados na cidade em que nascera, La Chaux-de-Fonds. Associou esse pensamento à suas obras e imaginou se uma casa objet-type também não deixava a desejar, comparando com uma casa cuidadosamente pensada em toda a particularidade.

No ano de 1936, Corbusier se reuniu com Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Reidy Alfonso para a construção do Ministério da Educação e Saúde, um marco da arquitetura moderna no Brasil.

Capela-Notre-Dame-du-Haut1A década de 1950, a década que guarda o maior número de projetos arquitetônicos do artista franco-suíço, guarda também uma ícone da arquitetura do Corvo: a Capela de Notre-Dame-du-Haut, em Ronchamp, sua primeira obra religiosa. Com janelas irregulares e paredes grossas curvilíneas, obtém uma cobertura excepcional que causa sensação de redução ou ampliação espacial, dependendo do ponto de vista.

Palacio da AssembleiaOutras obras de grande impacto compreendidas nessa época são os edifícios que deixou na Índia, com o representante principal sendo o Palácio da Assembleia de Chandigard; a Maison du Brésil, prédio que serve como uma embaixada da cultura brasileira em Paris; e o convento de Sainte Marie de La Tourette que traz um espaço aberto, fazendo referência ao fim do claustro.2147

Charles-Edouard Jeanneret-Gris faleceu em 27 de Agosto de 1965, por afogamento no mar Mediterrâneo. Deixou mais de 500 quadros, mais de 40 publicações entre textos, artigos e livros sendo a mais importante a “Vers une architecture”; algumas ícones do design de móveis como a Chaise Longue; e inúmeras obras de arquitetura, sendo por volta de vinte consideradas monumento histórico e quase todas abertas à visitação pública.

Construindo grande parte de seu trabalho através do empirismo, suas primeiras obras foram baseadas na natureza que o rodeava na lembrança da cidade natal. Com o passar tempo, suas viagens às grandes cidades industrializadas fizeram-no apaixonar-se pelo moderno concreto armado. Corbusier foi um dos maiores nomes da Arquitetura Moderna, contribuindo com a evolução da mesma.

 

FONTES:

Bibliográficas

[¹] Frampton, Kenneth “História Crítica da Arquitetura Moderna” 4ª edição Martins Fontes, São Paulo, 2008.

[²] Baker, Geoffrey H. “Le Corbusier – Uma análise da forma” 1ª edição Martins Fontes, São Paulo, 1998

Le Corbusier, “L’Art Decoratif d’Aujourd’hui” trad. Martins Fontes, 1996

Bardi, Pietro Maria “Lembrança de Le Corbusier – Atenas, Itália, Brasil” Nobel, São Paulo, 1984

Virtuais

Fondation Le Corbusier http://www.fondationlecorbusier.fr

Great Buildings http://www.greatbuildings.com/

Orazio Centaro’s Art Images http://www.ocaiw.com

domingo, 25 de setembro de 2011

Habitações Transportáveis

Uma habitação transportável tem como fundamentais características a portabilidade, facilidade na montagem e desmontagem, resistência à intempéries e fabricação barata.

Passando pelas tendas Tipi dos índios Norte-Americanos, as tendas Yurt na Ásia e as nômades, as habitações transportáveis estão em toda a história da humanidade e foi no uso militar que ganharam mais força.

Durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial foi-se muito utilizado os nissen.hutabrigos transportáveis devido ao desenvolvimento tecnológico.

O pioneiro foi o abrigo criado para militares "Nissen Hut" criado pelo Capitão Nissen.

 

Nissen Hut

Logo após, o arquiteto alemão Buckminster Fuller desenvolveu uma série de abrigos temporários transportáveis e o primeiro projeto (que nunca saiu do papel) foi o Dymaxion House. Anos mais tarde, com a visão ainda futurista, Fuller desenvolveu a Wichita House (sua montagem poderia ser feita por 6 pessoas em apenas um dia).

 

Wichita HouseOutro arquiteto importante nessa área foi Cedric Price que influenciou muitos outros. Mais focado na flexibilidade e portabilidade, Price desenvolveu o Fun Palace, todo em aço e com pisos, paredes e coberturas móveis. Era completamente adaptável a diferentes usos por ter um layout facilmente alterável.

 

Wichita House

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Fun Palace

 

Hoje as habitações transportáveis são muito utilizadas como abrigos emergenciais e são de extrema importância como medida paleatiava à aqueles que por algum motivo ficaram sem casa.

Fonte: Dissertação de Mestrado USP

ANDERS, Gustavo Caminati. Abrigos Temporários de Caráter Emergencial. Orientador Alessandro Ventura - São Paulo, 2007

sábado, 11 de setembro de 2010

Arquitetura Gótica

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   colonia
Com a primeira aparição na França, a Arquitetura Gótica é uma evolução da Arquitetura Romana e surgiu durante as Cruzadas à Terra Santa. Com o intuito de elevar a humanidade aos céus, estando ao lado de Deus, esse estilo durou 400 anos, antes de ceder lugar a Arquitetura Clássica do Renascimento Italiano.
O marco inicial gótico é ilustrado com a construção da Catedral Beauvais que contou com uma agulha de 150metros que acabou por desabar antes de toda construção terminar.
As Catedrais posteriores não desabaram por conta de um artifício muito engenhoso da época que é elemento arquitetônico fundamental do estilo: os arcobotantes.
Arcobotantes são um suporte exterior que permitem tirar o peso da parede de forma a eleva-las a grandes altitudes e decora-las com os enormes vitrais coloridos.
Outros artifícios com a mesma função dos arcobotantes, são os Arcos Ogivais/Cruzados que distribuiam o peso da abóbada.
Outros elementos arquitetônicos góticos são as gárgulas; esculturas; vitrais; abóbadas, coro e transepto elevados
As gárgulas tem a função de escoar as águas da chuva de forma que ela não escorra pelas paredes para não danificar a mesma. No contexto histórico, havia quem acreditava que as gárgulas protegiam as catedrais ganhando vida noturna.
As esculturas, tanto as de formato peculiar igual a gárgulas, quanto as religiosas, adornam os templos expressando a fé do povo, de forma vertical e quase sempre em colunas e portais.
Os vitrais gigantescos permitem a entrada permanente de luz para que, quem lá entrar, sinta-se iluminado por divindades. Eles também são coloridos com rendilhado de barra e contam a história do Antigo Testamento.
As abóbadas, coros e transeptos elevados simbolizam a aproximação humana com o Céu, subentendendo-se que o templo cristão era o único lugar em que o homem poderia chegar mais perto possível de Cristo.
Os ícones da Arquitetura Gótica podem ser encontrados por toda a Europa, sendo os mais importantes a Catedral de Chartres; Bourges; Notre Dame d'Amiens; Saint Denis; Ulm; Abadia de Westminster e Metz
Linha Histórica_
As Cruzadas são tradicionalmente definidas como expedição militar organizada pela Igreja, para combaterem os inimigos do cristianismo e libertarem a Terra Santa (Jerusalém) das mãos desses "infiéis". O movimento vai do século XI até meados do século XIII.
Tendo como base a intensa religiosidade presente na sociedade feudal, a Igreja sempre defendia a participação dos fiéis na Guerra Santa, prometendo a eles recompensas divinas.
De fronte a tal situação e levando em conta o alto poder da Igreja na época, foram construídas a gigantescas catedrais para venerar a Jesus Cristos.
beauvais-inacabada beauvais
Beauvais inacabada e interior.
bourges Bourges, Juizo Final
Bourges e vitral com a passagem “O juízo final”.
Notre dame Amiens2 Notre dame Amiens
Notre-Dame d’Amiens interior e detalhe vertical externo.
Saint Denis Interior St_Denis_transept_south
Saint Denis interior e vitral transepto Norte.
Rosacea N de Chartres
Rosácea Norte da Catedral de Chartres; o vitral com o mais complexo sistema de arcobotantes.



Fontes
Textos e Imagens: Google, Wikipédia, "A história da Arquitetura - Jonathan Glancey"