sábado, 31 de janeiro de 2015

Áreas da Arquitetura e Urbanismo

Olá pessoal! Mais um post em que tento sanar a dúvida de algumas pessoas que entram em contato. 
O post de hoje fala de uma forma resumida sobre as áreas mais famosas da Arquitetura, o que o arquiteto faz em cada área, qual o perfil do estudante e qual curso se deve fazer pra atingir essa área. Conforme for surgindo mais áreas vou atualizando esse post. Enquanto isso, deixo estas aqui.
Espero que gostem!

#Projeto Residencial
O que é: como o próprio nome diz: projeto de residências podendo ser unifamiliares ou habitações coletivas.
O que o Arquiteto faz: projeto da casa, layout interno básico, paisagismo básico. Lembrando que nesse projeto pode-se contratar um engenheiro civil para fazer os cálculos das vigas e afins.
Perfil do estudante: ser comunicativo pois precisa compreender as necessidades do cliente e sana-las no projeto. Ser atento a detalhes de clima do local, perfil do usuário... tudo pra deixar o projeto perfeito. É legal ter uma noção de layout interno, noção de paisagismo, de elétrica e hidráulica. Caso fique a desejar nos dois últimos itens, contrate profissionais para tal.
Pós e cursos livres: pós em gestão de projetos, gestão de obras, sustentabilidade; curso de decoração prática, planta humanizada, maquete eletrônica.

#Projeto Comercial, Industrial e Institucional
O que é: projeto de comércios e indústrias de pequeno, médio e grande porte bem como escolas e creches.
O que o Arquiteto faz: além do projeto em si, no caso de indústrias por exemplo, é necessário fazer todo um estudo dos equipamentos que serão postos no local para identificar o melhor layout interno e garantir o fluxo perfeito.
Perfil do Estudante: Atento aos mínimos detalhes; extremamente objetivo e prático. Nessa área o lado artístico não é requisito primordial.
Pós e cursos livres: pós em gestão de projetos, gestão de obras, sustentabilidade; curso de desenho universal.

#Interiores
O que é: design de interiores + decoração
O que o Arquiteto faz: estudo do espaço interno de qualquer tipo de edificação (residencial, comercial etc) para aprimorar o fluxo e o conforto ambiental.
Perfil do Estudante: Detalhista, funcional e artístico. Conhecimento em Conforto Ambiental é primordial bem como conhecimento em estilos.
Pós e cursos livres: pós ou técnico em Design de Interiores; curso de feng shui, planta humanizada, maquete eletrônica.

#Paisagismo
O que é: como o próprio nome diz: paisagens. Aquele "mexer com planta" que a gente sempre ouve.
O que o Arquiteto faz: compõe jardins, praças, espaços externos, espaços verdes. Escolhe as melhores plantas de acordo com suas necessidades (pouca ou muita insolação, por exemplo).
Perfil do Estudante: Gostar de plantas, conhecer muito sobre elas, ter perfil artístico. No geral, profissionais dessa área são sentimentais, o que ajuda e muito num belo trabalho.
Pós e cursos livres: Pós ou técnico em Paisagismo; curso de técnicas de paisagismo, iluminação externa.

#Urbanismo
O que é: estudos e técnicas relacionados ao funcionamento da cidade.
O que o Arquiteto faz: Geralmente trabalha junto ao órgão gestor da cidade buscando soluções de infraestrutura. Ajuda em projetos de combate a enchentes da cidade, fluxo do transito e tudo o mais que mantem o bom funcionamento do espaço urbano.
Perfil do Estudante: altruísta, objetivo, lógico. Nessa área o lado artístico não é requisito primordial.
Pós e cursos livres: Pós em Urbanismo, Engenharia Urbana, Mobilidade; curso de desenho universal.

#Restauração
O que é: outro nome óbvio, mas que pode ser confundido com revitalização, requalificação e afins.
O que o Arquiteto faz: projetos de restauração, recuperação e manutenção de locais tombados. Trabalha gerenciando a obra de restauro e afins.
Perfil do Estudante: Forte senso artístico, conhecimento em estilos e história da arte e arquitetura, gostar de trabalhos manuais, paciente.
Pós e cursos livres: Pós em Restauração; curso de técnicas retrospectivas.

#Cenografia
O que é: composição de espaços temáticos
O que o Arquiteto faz: geralmente monta a cena da peça do teatro, as cenas de novelas, séries e propagandas de acordo com o tema. Compõe também stands de vendas e apresentações em feiras.
Perfil do Estudante: conhecimento em estilos e história da arte e arquitetura, forte senso artístico, detalhista.
Pós e cursos: Pós em cenografia; cursos de ambientação.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Estrutura de Alvenaria e Estrutura Metálica: vantagens e desvantagens

O tipo de estrutura utilizado em uma obra será determinante em muitos aspectos como custo, durabilidade ou mesmo questões estéticas. A escolha de uma estrutura deve ser feita juntamente com as necessidades do espaço a ser construído, já que um lado vai depender do outro (questões como desempenho térmico, tamanho do vão, altura da edificação etc).
Abaixo, as principais vantagens e desvantagens da eterna dúvida: "alvenaria ou aço?".



ESTRUTURA DE ALVENARIA
A estrutura de alvenaria, utilizada desde a Babilônia, ainda é a mais famosa e mais usual. Constituída por unidades de blocos (cerâmicos, concreto...) que são unidas por argamassa, ela distribui o peso da edificação pelas paredes e descarrega no solo. Como é a mais utilizada, faz parecer que é a melhor, mas nem sempre é assim.


Vantagens da Estrutura de Alvenaria

-Mão de obra - todo pedreiro sabe fazer. Mas lembrando que a mão de obra é grande determinante na qualidade final;

-Isolamento termoacústico;

-Flexibilidade - Se você errar, pode-se consertar ainda na obra ou mesmo fazer alterações no projeto depois dela já feita;

-Custo - em muitas regiões a estrutura de alvenaria ainda é a opção mais barata por conta da mão de obra e materiais acessíveis.


Desvantagens da Estrutura de Alvenaria

-Espaço - necessita de espaço maior no canteiro de obras pra guardar os blocos e afins;

-Sujeira / Entulho - querendo ou não, a alvenaria causa muita sujeira. Ter que abrir a cavidade para passar tubos e fiação ou abrir outros vãos vão sujar e muito o local. Caso necessite fazer alguma alteração, o que é possível com essa estrutura, renderá mais alguns quilos de entulho...

-Peso

-Depende de outros materiais - Argamassa, por exemplo. Essa dependência pode elevar o custo da construção.

-Limitação de tamanho - Obras gigantescas já foram feitas com essa estrutura, mas hoje em dia ela é viável para pequenas edificações por não permitir grandes vãos, por exemplo.



___


ESTRUTURA METÁLICA
As estruturas metálicas são uma forma genérica de se referir a estruturas feitas de aço moldados a quente, a frio, aço carbono, aço de baixa liga... existem várias ligas, mas aqui trataremos de uma forma geral sobre as vantagens e desvantagens dessa estrutura.
O Brasil é o 15o. país na exportação de aço e a utilização do mesmo é crescente no país por conta das inúmeras vantagens na utilização do material.


Vantagens da Estrutura Metálica

-Grandes vãos   -   A história da Arquitetura vem frisando essa vantagem e ela é a maior característica dessa estrutura;

-Peso   -   Por serem mais leves, as estruturas em aço podem reduzir em até 30% o custo das fundações;

-Reciclabilidade   -   O aço é 100% reciclável e as estruturas podem ser desmontadas e reaproveitadas com menor geração de rejeitos;

-Compatibilidade com outros materiais   -   O sistema construtivo em aço é perfeitamente compatível com qualquer tipo de material de fechamento, tanto vertical como horizontal, admitindo desde tijolos e blocos até painéis dry-wall;

-Menor prazo de execução   -   A fabricação da estrutura em paralelo com a execução das fundações, a possibilidade de se trabalhar em diversas frentes de serviços simultaneamente, a diminuição de formas e escoramentos e o fato da montagem da estrutura não ser afetada pela ocorrência de chuvas, pode levar a uma redução de até 40% no tempo de execução quando comparado com os processos convencionais;

-Flexibilidade de uso   -   Não há limitações para o tipo de configuração dos edifícios com estrutura em aço, além de serem especialmente indicada nos casos onde há necessidade de adaptações, ampliações, reformas e mudança de ocupação de edifícios. Tornam também mais fácil a passagem de dutos como água, ar condicionado, eletricidade, telefonia etc.


Desvantagens da Estrutura Metálica

-Inflexibilidade   -   Ao mesmo tempo em que podemos considera-la flexivel, podemos considerar o contrário. Caso uma alteração do projeto seja feita, isso vai resultar em dor de cabeça. A alteração dessa estrutura depois de calculada não é fácil e muitas vezes inviável;

-Mão de obra   -   Se a mão-de-obra não for especializada, nada vai acontecer. E esse tipo de mão-de-obra ainda não é fácil de se encontrar e os preços também não são tão baixos;

-Acessibilidade   -   A acessibilidade a essa estrutura em muitos pontos do Brasil é o que encarece essa estrutura pela questão do transporte;

-Corrosão   -   Além de ser uma parte cara e um tanto difícil de se executar, o tratamento anti-corrosão precisa de atenção. Muito tempo de exposição à intempéries abaixa a resistência do material assim como a selagem mal feita;

-Fogo   -   Um tratamento anti-chama nas estruturas metálicas é solicitação dos Corpos de Bombeiros. O aço obviamente não é combustível, mas quando exposto a alta temperatura a sua resistência reduz. E esse tratamento, mais uma vez, é bem caro...




Fontes: Material próprio e sites "EHow" e "CBCA Arco Brasil". Imagem de "Fórum da Construção"

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Como ocorrem as implosões

 PREPARATIVOS


 Antes mesmo de inserir os explosivos em pontos estratégicos, é necessário retirar toda a fiação da edificação e desativar o sistema hidráulico. Para edificações pequenas é aconselhável retirar as telhas antes da demolição. 

 Logo, os explosivos são inseridos nas colunas de sustentação (elas precisam cair para garantir o sucesso da implosão).

 Para evitar que estilhaços voem para a vizinhança, as colunas são embaladas com material antiperfurante. Pelo mesmo motivo, a fachada do prédio recebe uma espécie de rede de contenção, mas mesmo assim é necessário que a vizinhança se ausente e que o entorno fique inacessível durante a implosão.


 DETONAÇÃO

 Os explosivos são acionados a pequenos intervalos. Cada dinamite tem um temporizador que determina em qual momento ele explodirá (0,1 segundo após o início da implosão, 0,2 segundo, 0,3 segundo etc).


 DESABAMENTO

 Para destruir a sustentação do prédio, as explosões começam pelos andares baixos (o que garante a queda do topo) e pela parte central (fazendo paredes caírem para dentro). Isso evita atingir outros prédios.

 Depois de o prédio ruir, o entulho é retirado com escavadeiras. Uma equipe de prestadores de serviços, como vidraceiros, encanadores e eletricistas, fica de prontidão para resolver qualquer dano aos vizinhos.

Lembrando que grandes implosões devem ser feitas em dias de pouco movimento e em horários apropriados, para que de tempo da evacuação do entorno, caso algo dê errado.





IMPLOSÕES FAMOSAS

Um exemplo famoso de implosão que não deu certo é o prédio já abandonado na Turquia. Os explosivos foram direcionados de forma errada, o prédio caiu para o lado e rolou até o prédio vizinho que, por sorte, não teve problemas. O vídeo pode ser visto no Youtube.

Outro exemplo que gerou polêmica foi o prédio do Moinho, no centro de São Paulo. A implosão não colocou abaixo todos os andares, mas o prefeito insistiu em dizer que o objetivo foi atingido e concluiu a ação como bem sucedida e pode ser visto aqui.

O Aladdin Hotel, em Las Vegas, implodido em 1998, é um exemplo de implosão bem sucedida, podendo ser visto aqui no Youtube. Outro exemplo de implosão bem sucedida é recente: o hospital abandonado em Araçatuba, que também pode ser visto aqui.

sábado, 3 de agosto de 2013

Porque estudar Arquitetura pt.2



Mesmo após ter criado o post PORQUE ESTUDAR ARQUITETURA, ainda é muito grande o número de pessoas que me procuram perguntando quase sempre a mesma coisa.

Estou fazendo este post para sanar as atuais dúvidas que veem lotando minha caixa de email e que eu sempre respondo com o maior prazer!

A pergunta que não quer calar: como é a grade do curso de Arquitetura?
Bem, como eu disse no post pioneiro, a grade varia de universidade a universidade, mas nunca deixa de ser bem ampla e flexível abrangendo quase todas as matérias que você estudou no colegial. A melhor coisa a se fazer é olhar no site da universidade de sua escolha quais as matérias que eles disponibilizam.

Estudante de Arquitetura precisa saber Desenhar?
Não!! Não precisa saber desenhar! Se você souber algumas técnicas e tiver boa relação com o lápis ajuda bastante, mas caso contrário, você não será um péssimo Arquiteto por isso.
Vou deixar claro que há 2 tipos de desenho na Arquitetura: o Técnico e o Artístico. Acreditem: nenhum depende unicamente de dom. O Desenho Técnico, como o próprio nome diz, depende muito da geometria, do compasso, da régua. Nessa matéria é ensinado, basicamente, vistas tridimensionais e normas técnicas de representação para a produção industrial. O Desenho Artístico não tem quase nada de teoria e depende muito da prática. Mesmo você sendo aquele tipo de pessoa que faz cara feia pra desenhar e que admite que só sabe fazer "homem palito", você não terá motivos para não gostar dessa matéria. No geral é ensinado técnicas de desenho (desenhar de ponta cabeça, por exemplo), técnicas de representação (pontilhismo) e técnicas de pintura (aquarela, carvão...). O que pude concluir nessa matéria foi que desenhar não depende de dom, mas sim da prática.

Estudante de Arquitetura precisa gostar de Matemática?
A área de Exatas do curso é enfatizada na Física e não na Matemática, o que pra muitos pode ser motivo de desistência do curso. Até onde estudei só vi a Mecânica - Estática que não é todo esse monstro se o estudante se dedicar à matéria. Fazer inúmeros exercícios ajuda e muito!! 
Então precisa gostar de Física? Não precisa gostar, mas tem que aprender. Na realidade, todo mundo tem esse medo da Física porque nunca compreendeu a dinâmica da matéria na época do colegial. Em Arquitetura a Física é aplicada à lógica do curso, o que a deixa mais compreensível e aturável. Confesso que muitos exercícios não são fáceis, mas é delicioso conseguir executá-los.

Arquiteto ganha bem?
Essa pergunta não tem fundamento. Ser ou não ser bem sucedido vai depender do seu empenho como estudante, um pouco da sorte para ser reconhecido e da área em que você atuar.
Se na sua Carteira de Trabalho conter o cargo "Arquiteto", muito provável você ganhará bem. Se você é o dono do escritório dependerá dos 3 fatores acima. Lembrando que em muitos locais a Carteira de Trabalho é assinada com o cargo de "Projetista", o que rebaixa o seu salário.

Em quais áreas o Arquiteto pode atuar?
Projeto, Obras, Restauração, Revitalização, Patrimônio, Desenho, Paisagismo, Cenografia, Urbanismo, Maquetes, Ergonomia, Design, Vitrinismo, Conforto Termoacústico...
Inúmeras. São muitas áreas mesmo! Depois que você começar o curso vai entender que Arquitetura é uma formação tão ampla que se torna muito difícil haver um local de trabalho em que um Arquiteto não poderia estar interferindo.

O que eu posso fazer enquanto não começo o curso de Arquitetura?
Você pode fazer cursos profissionalizantes como Edificações, Desenho Técnico, AutoCad, SketchUp, Design de Interiores... Ou mesmo ler algum livro da área que mais interessar. Seguem alguns que gostei muito:
"Concepção Estrutural e a Arquitetura" Y.C.P.Rebello - Para a área de Estruturas
"A História da Arte" E.H.Grombich - Linha cronológica da Arte, Arquitetura e Escultura. 
"A História da Arquitetura" J.Glancey - Resumão cronológico sobre a Arquitetura no mundo 
"Morte e Vida de Grandes Cidades" J.Jacobs - Uma visão crítica sobre Urbanismo

Essas são as perguntas que mais venho respondendo.

Se gostou, dá uma CURTIDA no blog ali no cantinho direito superior ou aqui no final da página!

Até a próxima!

domingo, 2 de setembro de 2012

Regionalismo Crítico

 

“Uma região pode desenvolver ideias. Uma região pode aceitar ideias. A imaginação e a inteligência são necessárias para ambas as coisas”

Kenneth Frampton –  História crítica da Arquitetura Moderna

 

ITV Paulo Mendes Rocha

 

O progresso da humanidade está implícito ao fenômeno da universalização, destruindo, contudo, os núcleos éticos e culturais das grandes civilizações e das culturas tradicionais, levando a conflitos. Uma nação para se desenvolver tem de se desenraizar de algum modo do seu passado e racionalizar-se científica e tecnicamente. Nem todas as culturas conseguem absorver o impacto da civilização moderna. O ideal seria um progresso aliado às origens.

O regionalismo crítico pretende identificar determinados fenômenos regionais (cultura,mito, artesanato, clima) e interagi-los e integrá-los com determinados “serviços” úteis para a prosperidade da região. A representação disso no futuro dependerá da nossa capacidade para gerir formas de cultura regional, onde se incorporem influências externas de outras civilizações. É importante respeitar a topografia, os materiais da região, o artesanato, as subtilezas da luz local; um respeito que se sustém sem cair no sentimentalismo de excluir as formas racionais e técnicas modernas. A cultura regional não deverá ser algo dado e imutável,mas um dado consciente.

O regionalismo crítico manifesta-se como uma arquitetura conscientemente delimitada, dando especial realce ao enquadramento tectônico da obra, estabelecendo limites físicos e temporais ao arquiteto. O princípio regional alimenta a cultura local embora sempre aberta à admissão e assimilação de ideias procedentes do estrangeiro. A força da cultura provinciana reside na sua capacidade para condensar o potencial artístico e crítico da região ao mesmo tempo que assimila e interpreta as influências externas.

Casa da Ponte

Kenneth Frampton aborda diversos conceitos culturais e arquitetônicos com a referência a vários locais, onde demonstra a capacidade de simbiose entre os aspectos tradicionais e culturais e outros elementos alheios às diferentes civilizações. Referência a vários arquitetos e às suas obras com tendências regionalistas, entre outros Bohigas, Coderch ambos da escola de Barcelona, vivendo uma situação cultural complexa no ante guerra, obrigados por um lado a obedecer aos valores tradicionais e   por outro à responsabilidade política; Álvaro Siza, cujas obras são sempre respostas às paisagens onde são inseridas e respeitando os materiais e as condições locais; Abraham e Barragan cujas casas adotam uma forma topográfica. Nas obras deste último são bem visíveis as marcas da sua origem mexicana, tendo absorvido as suas influências e embora modernizado, foi sempre muito crítico em relação aos vários aspectos da vida quotidiana moderna. Critica as condições de vida quotidiana atuais e a falta de intimidade que nos invade através do rádio, televisão, telefone; o afastamento cada vez maior entre os seres humanos e a natureza, mesmo quando saem das áreas urbanas, devido ao “encerramento” do homem no automóvel.

Distinguem-se dois tipos opostos de regionalismo crítico: o restringido e o liberado. Este permite uma maior liberdade de expressão; são sintonizados os pensamentos surgidos na época e nesse lugar, de forma mais consciente e mais livre do que o era tradicionalmente; a sua virtude é que a manifestação desse regionalismo tem significado também para o mundo exterior a ela. Para o expressar de maneira arquitetônica é necessário construir  bastante – muito e em pouco tempo. O Movimento Moderno dirige-se à universalidade; encerrado a estilos de vida individuais e à diferenciação regional. É difícil expressar através de um vocabulário aberto e internacionalista, as sensibilidades, os costumes, a consciência estética, a cultura diferenciada e as tradições sociais.

Usuário do Scribd “Bettylolas”

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Arte Egípcia

Vue du sphinx et de la grande pyramide, prise du sud-est. Cuivre - Schroeder - 43,2 x 60 cm - Eau-forte, burin

Quando pensamos em mostra artística egípcia temos um padrão de pensamento beirando a unanimidade: pirâmides e desenhos de pessoas quase sempre na mesma posição corporal e sem nenhuma feição.

Não é para menos: a característica mais marcante de arte egípcia, além da forte aproximação com a esfera religiosa, é justamente as formas geométricas bem definidas e os corpos todos em padrão.

Era de costume desse povo que, quando alguém muito importante morresse, fossem mortos também seus servos para que acompanhassem até a chegada aos céus. Percebendo a pouca praticidade dessa atitude, o sacrifício dos servos foi substituído pelas pinturas. As pirâmides serviam como grande cemitério guardando os corpos de diversos nativos e, para acompanhar a chegada dos mesmos aos céus, eram feitos desenhos nas paredes de suas tumbas. Essa atitude vem de um ato mais antigo praticado pelos povos primitivos: os desenhos feitos nas cavernas (as pinturas rupestres) não contavam histórias, mas sim exprimiam desejos. Os caçadores primitivos acreditavam que se fosse feito uma imagem de sua presa os animais verdadeiros sucumbiriam ao seu poder. Uma conjectura, pois bem, mas muito bem apoiada.

Para ser artista nessa época que se iniciou por volta de 3.000aC, era preciso seguir regras de representação. O imperador deveria ser a figura humana em maior escala; sua esposa, seus filhos, seus servos e qualquer outra figura humana deveria ter um tamanho notavelmente reduzido; as estátuas sentadas deveriam ter suas mãos levadas ao joelho; homens deveriam ser pintados com cores mais escuras em relação às mulheres; o Rei Anúbis deveria ser representado com uma cabeça de chacal e Hórus com cabeça de falcão.

deus_anubis

Outro ponto importante na arte egípcia é o de que todo o desenho era representado na sua forma mais característica. Para compreender tal, basta olhar ao desenho. O rosto é melhor visto quando de perfil e apesar disso, os olhos eram sempre desenhados como se estivessem de frente; os ombros, também desenhados de frente, asseguram o seu melhor ângulo e, reparem, dois pés esquerdos mostram que os artistas da época ignoravam os dedos.

Essa tradição rigorosa sofreu um abalo com a chegada da 18ª Dinastia, em 1360aC com o imperador Akhnaton. O imperador era devoto do deus Aton e não ligava para a rigidez da época. Os desenhos, durante aproximadamente 30 anos, tomaram formas diferenciadas: auréolas e raios solares ao fundo como representação religiosa, homens e mulheres desenhados na mesma escala e na mesma cor, mãos pousadas fora do joelho e os dedos dos pés, por fim, foram exibidos. Essa expressão durou até mais alguns anos no reinado de Tutankhamon que não demorou muito e fez-se restaurar as velhas crenças.

Tutankhamon

Quanto às edificações, eles desprezavam a linha curva e faziam constante uso de verticais e horizontais e, a partir delas, o triângulo, que tinha um significado mágico a esse povo. De estrutura simples e regular, os templos tinham temática mortuária (como quase tudo o que esse povo criou), ganhando destaque o Templo da Rainha Hatshepsut e a Tumba de Tutankhamon. O posicionamento de todas as construções seguia o conceito de força vital emanada pelo sol como reguladora do ciclo da vida e da morte e era pelo curso do Nilo que essas construções se orientavam.

Quando olhamos para toda a monumentalidade das obras egípcias, é de se perguntar quanto tempo e quanto esforço fora gasto. Tempo já estamos certos que não fora muito: há especulações que as Pirâmides de Gizé tenham levado 20 anos para serem finalizadas, o que pode ser um prazo bem curto, levando em consideração que os egípcios trabalhavam nas obras durante 5 meses no ano. Esses 5 meses se referem ao período de baixa(seca) do Nilo, em que a agricultura se tornava quase inviável.

Zoser

Imhotep, o primeiro arquiteto da história conhecido por nome, trabalhou por volta de 2.778 aC no complexo funerário de Zoser, Sakkara. A construção é uma pilha de mastabas, o que originou as pirâmides em suas formas mais conhecidas. Nesse período, o uso de materiais construtivos se resumem a pedra e argila.

Os egípcios viam sua arte como o ápice da perfeição e acreditavam que ela jamais se abalaria. Seguindo esta linha de raciocínio, é de se perceber que os egípcios construíam para a eternidade. Até hoje suas obras são alvo de estudos que não conseguem chegar além de especulações.

 

Fonte: Gombrich, E. H. “História da Arte”, LTC, Rio de Janeiro, 2008.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O cliente sempre tem razão?

o cliente sempre tem razão

Hora polêmica...

Posso sentir o furor após a afirmação, mas tenho que dizer que nunca concordei com a premissa de que o cliente tem razão, mesmo quando sou cliente.

Não tem coisa mais chata quando eu, em condição de cliente, percebo que o vendedor quer me empurrar algo mesmo que não me sirva. Uma peça de roupa que não tenha dado certo, um sapato que não combina... Eles dizem que ficou lindo e deixam muito óbvio o fato de que querem apenas vender.

Não posso nem imaginar o quão pior fica a situação quando se trata de um arquiteto querendo vender seu projeto. Fazem tudo o que o cliente pediu, mesmo sabendo que aquilo é inviável estética ou ergonomicamente falando. Fazem de tudo pra agradar, até jogam sua credencial na fogueira.

Mas será que o cliente sempre tem razão? Eu tenho certeza que não. Ele não faz ideia do que fala por que, se soubesse, jamais teria lhe procurado! Eles nunca sabem o que querem até que você apresente a eles! 

Me lembro de um trabalho da graduação em que tínhamos que projetar uma casa para uma família que já tinha em mente algumas preferências e uma delas era um banheiro que tivesse 2 portas que dessem em quartos distintos. 

Trágico. 

Que Arquiteto nesse planeta que tem amor pelo seu título, que estudou 5 anos e passou várias noites em claro teria a coragem de fazer algo assim? Na minha classe teve... e pelo resultado (inesquecível, diga-se de passagem) pude concluir que seguir 100% os requisitos do cliente não é o trabalho de um Arquiteto. Pelo menos não o de um que se preze.

Você não precisa se ajoelhar na frente do cliente e começar a perguntar "Por que, Deus?!" mas cabe ao Arquiteto dar uma orientação sutil que essa é uma ideia maluca.

Se o cliente insistir muito nesse devaneio, ceda. Mas ceda sabendo que a sua parte você fez.

cliente chato

Imagem recebida por e-mail. Segundo o remetente, ela está pendurada na parede de uma oficina mecânica.

Repito que, se o cliente tivesse razão, não estaria te procurando. Ele nunca tem razão e você tem que deixá-lo pensar que tem. Intervir numa maluquice, por exemplo, é fazer o seu papel, pôr em prática os anos de estudo e experiência sem deixar óbvio que o cliente é um leigo (e muitas vezes arrogante).

A grande questão é como se comportar nesses casos. Temos registros históricos que, desde a época de Bernini e Borromini o ego dos Arquitetos fora e continua sendo bem inflado. Não é para menos: no Renascimento eles eram tratados como representações divinas na Terra seguindo a linha de raciocínio de que "o Homem fora feito à imagem e semelhança de Deus; a obra que eu construo é à imagem do Homem; logo, o que construo é divino". Porém, alguns profissionais se esqueceram que os tempos mudaram e preferiram continuar nessa conclusão um tanto arrogante para os dias de hoje. 

A partir disso, temos aqueles 2 padrões de projetistas: o Sabe-tudo e o Sei-de-nada (com todo respeito, ou só um pouco dele...). O Sabe-tudo é aquele que ainda vive no Renascimento e se acha Deus, não quer dar ouvidos a ninguém e acha que seus projetos são expressões do ápice de sua inteligência e criatividade, subestimando o cliente e o afastando ao máximo. O Sei-de-nada é o oposto: ele até sabe bastante coisa (ele conseguiu se formar!!), mas por motivos de preguiça ou algum outro, ele não gosta de exercitar a experiência e deixa que o cliente decida tudo, apostando que essa é a melhor forma de vender seu projeto.

Assim, temos de um lado o Arquiteto que tem consciência até de mais que o cliente não tem razão e do outro lado o Arquiteto que acha melhor não crer nessa afirmação. Esses dois casos só acumulam erros e não há nada de ponto positivo. Para o Arquiteto que "se acha", fica a dica que ser arrogante não é thumbsUp. O cliente precisa de atenção, de alguém que seja humilde o suficiente para notar sua necessidade, captar seu estilo, projetar algo à altura e, caso o cliente tenha algum devaneio, instruir sobre qual a melhor forma de projeção. Ao Arquiteto preguiçoso, que seja dito (e re-dito) que o cliente te procurou para ter alguém que solucione o problema e a necessidade dele, não alguém que apenas assine o seu "projetinho". 

Me lembro de outro caso em que um homem tinha acabado de construir a casa e estava na etapa da decoração. Infelizmente ele era um daqueles homens que entendiam MUI BIEN de "dizáini" e queria de toda forma colocar piso branco e verde (sim, quadrados intercalados) no corredor dos quartos e, não o bastante, em todos os quartos. Nos primeiros minutos falando com ele ficou muito claro que aquela era a causa pela qual ele iria até à guerra e, sendo assim, quem sou eu pra destruir um sonho? Por algum motivo desconhecido as filhas dele nunca convidaram se quer um amigo pra conhecer a casa nova. 

Esse segundo caso foi um exemplo bem cabível do que eu gostaria de falar: clientes nunca tem razão; eles nunca entenderão o seu(nosso) trabalho e não é por isso que temos que ser arrogantes ou deixar nas mãos de um leigo todo o percurso do projeto. Orientar a pessoa que lhe procura é um grande passo. Façamos a nossa parte!