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domingo, 2 de setembro de 2012

Regionalismo Crítico

 

“Uma região pode desenvolver ideias. Uma região pode aceitar ideias. A imaginação e a inteligência são necessárias para ambas as coisas”

Kenneth Frampton –  História crítica da Arquitetura Moderna

 

ITV Paulo Mendes Rocha

 

O progresso da humanidade está implícito ao fenômeno da universalização, destruindo, contudo, os núcleos éticos e culturais das grandes civilizações e das culturas tradicionais, levando a conflitos. Uma nação para se desenvolver tem de se desenraizar de algum modo do seu passado e racionalizar-se científica e tecnicamente. Nem todas as culturas conseguem absorver o impacto da civilização moderna. O ideal seria um progresso aliado às origens.

O regionalismo crítico pretende identificar determinados fenômenos regionais (cultura,mito, artesanato, clima) e interagi-los e integrá-los com determinados “serviços” úteis para a prosperidade da região. A representação disso no futuro dependerá da nossa capacidade para gerir formas de cultura regional, onde se incorporem influências externas de outras civilizações. É importante respeitar a topografia, os materiais da região, o artesanato, as subtilezas da luz local; um respeito que se sustém sem cair no sentimentalismo de excluir as formas racionais e técnicas modernas. A cultura regional não deverá ser algo dado e imutável,mas um dado consciente.

O regionalismo crítico manifesta-se como uma arquitetura conscientemente delimitada, dando especial realce ao enquadramento tectônico da obra, estabelecendo limites físicos e temporais ao arquiteto. O princípio regional alimenta a cultura local embora sempre aberta à admissão e assimilação de ideias procedentes do estrangeiro. A força da cultura provinciana reside na sua capacidade para condensar o potencial artístico e crítico da região ao mesmo tempo que assimila e interpreta as influências externas.

Casa da Ponte

Kenneth Frampton aborda diversos conceitos culturais e arquitetônicos com a referência a vários locais, onde demonstra a capacidade de simbiose entre os aspectos tradicionais e culturais e outros elementos alheios às diferentes civilizações. Referência a vários arquitetos e às suas obras com tendências regionalistas, entre outros Bohigas, Coderch ambos da escola de Barcelona, vivendo uma situação cultural complexa no ante guerra, obrigados por um lado a obedecer aos valores tradicionais e   por outro à responsabilidade política; Álvaro Siza, cujas obras são sempre respostas às paisagens onde são inseridas e respeitando os materiais e as condições locais; Abraham e Barragan cujas casas adotam uma forma topográfica. Nas obras deste último são bem visíveis as marcas da sua origem mexicana, tendo absorvido as suas influências e embora modernizado, foi sempre muito crítico em relação aos vários aspectos da vida quotidiana moderna. Critica as condições de vida quotidiana atuais e a falta de intimidade que nos invade através do rádio, televisão, telefone; o afastamento cada vez maior entre os seres humanos e a natureza, mesmo quando saem das áreas urbanas, devido ao “encerramento” do homem no automóvel.

Distinguem-se dois tipos opostos de regionalismo crítico: o restringido e o liberado. Este permite uma maior liberdade de expressão; são sintonizados os pensamentos surgidos na época e nesse lugar, de forma mais consciente e mais livre do que o era tradicionalmente; a sua virtude é que a manifestação desse regionalismo tem significado também para o mundo exterior a ela. Para o expressar de maneira arquitetônica é necessário construir  bastante – muito e em pouco tempo. O Movimento Moderno dirige-se à universalidade; encerrado a estilos de vida individuais e à diferenciação regional. É difícil expressar através de um vocabulário aberto e internacionalista, as sensibilidades, os costumes, a consciência estética, a cultura diferenciada e as tradições sociais.

Usuário do Scribd “Bettylolas”

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Arquitetura Gótica

Como eu fiz com o post do Circumponto, resolvi complementar o ESTE POST de Arquitetura Gótica, agora com mais informações acadêmicas.

Preparados? Let’s start…

igrejagotica

O estilo Gótico surgiu no final da Idade Média, por volta do ano 1.100, na Europa, após o período românico. Os constantes saques que ocorriam nessa época fizeram com que a população fugisse dos campos e se refugiassem nos feudos. Elas se organizaram nessas corporações visando um crescimento cultural e chegaram a adquirir um certo orgulho citadino. Lembrando que, por mais turbulenta fora essa época, a Igreja não perdeu sua autoridade.

Considerada o berço do Gótico, a França viu nascer o estilo através da junção do arco ogival (abóbada) com os arcobotantes(que distribuiam parte da carga da parede). Essa combinação deu a possibilidade de se construir paredes mais finas e com mais vitrais.

As características desse estilo são óbvias: construções gigantescas, vitrais coloridos, gárgulas, contrafortes, estátuas, abóbadas, rendilhados, arcos e capitéis característicos.

Há classificadas 8 tipos de abóbadas, abobadagoticasendo essas: abóbada de cruzaria com seis arestas; abóbada de cruzaria com quatro arestas; abóbada estrelada; abóbada de liernes; abóbada colmeia cilíndrica; abóbada corola/leque; abóbada polinervada e abóbada reticulada.

Os capitéiscapitelgotico contam com 6 classificações, sendo: capitel de bulbo (vindo do Gótico Primitivo); capitel com pratos (do Inglês Primitivo); capitel com folhagem (Gótico Tardio); capitel cálice de meia coluna; capitel mísula estátua e mísula com folhagem.

arcogoticoE os arcos recebem até 12 nomes, sendo: arco ogival/abatido/rebaixado; arco normal/equilátero; arco de volta elevada/lanceta; arco trilobado/3 centros/redondo; arco de ponta; arco flamejante e arco flamejante do gótico tardio; arco lombo de asno; arco com dentículos; arco lintal e arco Tudor.

De país para país, o estilo guarda algumas peculiaridades. Na França a fachada dos templos possuem duas torres ornadas com rosáceas; na Alemanha há apenas uma torre central pontiaguda com coruchéu rendilhado; já na Inglaterra, as abóbadas recebem filigranas. A Itália que surgiu mais ou menos nessa época e nem se chamava Itália, repudiava o Gótico. Portanto, essa área da Europa não possui muitas obras desse estilo.

 

arquiteturagotica

 

Dentre as catedrais que receberam grande notoriedade pelo estilo, estão a Beauvais na França, com uma altura descomunal e história que marcou o limite da engenharia civil: sua agulha com 150 metros caiu, mas não por isso a Catedral perdeu seu deslumbre. A Chartres na França conta com complexos sistemas de arcobotantes e vitrais que, segundo Abade Suger, “para os humildes que não sabem ler a Palavra, as imagens nas janelas mostram-lhes em que acreditar”. A Catedral de Ulm na Alemanha conta com as agulhas mais altas do estilo gótico: 150 metros (e nenhuma queda). Famosa pelos arcobotantes, temos a Bourges; famosa pelo rendilhado a St.Denis entre muitas outras.

Por mais que o estilo seja naturalmente francês, é na Inglaterra que se encontram as catedrais góticas mais estonteantes. Isso se dá pelo uso da madeira em seu interior (coisa que não era corriqueira, já que a madeira era usada penas em construções de pouca Angel.Roof.St.Wendredaimportância). Um exemplo é a Sta.Wendreda(imagem), St.Stephen’s Hall e Ely. Outras construções góticas que utilizavam muita madeira eram as casas mais humildes com a técnica do cruck frame e algumas igrejas na Noruega e Suécia (terras com muitas florestas).

Há quem considere o estilo gótico algo totalmente ligado à religião. Não é de se negar que a maioria das construções do estilo seguiam de fato essa premissa, mas outro fator não deve ser dispensado. O progresso econômico e a vontade de exibir o poder eram fatores mais presentes inclusive em edificações cívicas do gótico secular. O Salão de Tecidos de Ypres, o Palazzo Ducale, assim como as prefeituras de Florença e Siena ilustram bem essa afirmação.

Para finalizar, o estilo audacioso considerado a glória da Europa foi se dissipando no Gótico Tardio, por volta do século XVI. A Itália já detinha o Renascimento e as invenções góticas já não existiam mais. Podemos considerar como as últimas obras do estilo a Capela King’s College e a de Henrique VII (ambas na Inglaterra), que já continham traços renascentistas.

 

reims.gotic

 

Fontes:

Google Imagens e Sta. Wendreda gallery - official homepage.

Koch, Wilfried "Dicionário dos Estilos Arquitetônicos”, Martins Fontes, São Paulo.

Glancey, Jonathan. “História da Arquitetura”, Loyola, São Paulo, 2001.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Parc de La Villette – Bernard Tschumi

 

Planta de Parc de La VilleteO Parc de La Villette é um parque localizado em Paris, no 19º arrondissement. Projetado por Bernard Tschumi em 1982, ele é um ícone do desconstrutivismo arquitetônico e abriga, em 25 hectares, o Cité des Sciences et de l'Industrie(Museu de Tecncologia e Ciência) e La Géode(Museu Cidade da Música).

O terreno, no princípio, abrigava um matadouro que, com a sua transferência, fez-se um concurso para eleger o melhor projeto arquitetônico para o local já abandonado. A idéia principal era criar um parque que representasse o século XXI, e Bernard Tschumi foi quem venceu com sua proposta pitoresca.

Na mistura do natural e artificial, o conceito da obra teve por base a Teoria do Desconstrutivismo de Jacques Derrida que surgiu com a “Origem da Geometria” e tem como fundamento a desmontagem/decomposição dos elementos. A desmontagem dos elementos visa o conhecimento já que o arquiteto afirma “a arquitetura não é o conhecimento da forma, mas sim uma forma de conhecimento.”

 

Esquema de alguns Follies de Villete

 

No parque projetado pelo suíço Tschumi, podemos notar a presença de “pontos” vermelhos; os chamados Follies, os elementos mais importantes do projeto. São 35 obras dispostas pelo parque formando uma malha geométrica, postos em intersecções de cubos imaginários de 10x10m e que servem, a princípio, como pontos de referências aos turistas.

Segundo o Arquiteto, estes pontos de referência foram projetados para criarem um vácuo desconstrutivista que possa abolir toda e qualquer relação do passado do terreno com sua forma atual para que os seus usuários vivenciem, sem precedentes, uma experiência com o parque. Os follies são utilizados para recreação e alguns, atualmente, estão sendo modificados para receberem restaurantes.image

Apesar de delicado, é perceptível traços do Niilismo em La Villette de Bernard. O Niilismo tem como base a desvinculação com os conceitos adquiridos para que se chegue a um conhecimento pela indução sem influências externas, e as obras de Bernard têm a essência desse caráter. Como exemplo, podemos relacionar os follies com a indução às descobertas e a desvinculação proposital, mesmo que parcial, com o passado.


Os follies são atrativos que levam as pessoas a fazerem uso de toda a área e, a partir desse artifício, possam entender o parque como um local de descobertas pessoais, atividade e interação dentro dos princípios da organização de Tschumi. Além disso, outra intenção alcançada pelo Arquiteto foi a máxima do movimento. Tendo a arquitetura como resultado da colisão acarretada pela velocidade, o Parc de La Villette exibe bem o conceito de movimento buscando materializar-se nas experiências do parque.

 

Esquema do Desconstrutivismo de Tschumi aplicado ao La Villete

 

Fontes:

Montaner, Josep Maria. “As formas do século XX”, Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2009

Bernard Tschumi, Cinégramme folie: le Parc de la Villette (Princeton Architectural Press, 1987)

Padovano, Bruno Roberto. “Bernard Tschmi”, Out 2001. Diponível em <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/02.008/3344> Acesso em Nov 2011

Kroll, Andrew. “Parc de La Villette/Bernard Tschumi”, Jan 2011. Disponível em <http://www.archdaily.com/92321/ad-classics-parc-de-la-villette-bernard-tschumi/> Acesso em Nov 2011

segunda-feira, 5 de março de 2012

Espaço público x Espaço privado

 

Encontrei este texto na Revista do CREA-RS e achei muito interessante, já que ele aborda as divergências entre espaço público e privado de uma forma bem resumida e intrigante. No texto talvez tenha ficado discreta a crítica aos condomínios fechados então reforço, com a minha humilde opinião, que a criação desses centros de moradia só encobre o problema social (da violência e segregação)que já deveria ter recebido uma atenção plausível.

 

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Diretora da Escola Redes – Clínica e Pesquisa em Psicologia Social e Psicodrama de Porto Alegre, Sissi Malta Neves, psicodramatista (Centro de Psicodrama e Sociodrama Zerka Moreno, Buenos Aires) e mestre em psicologia social e da personalidade (PUCRS), explica que o medo, o individualismo e a desconfiança em relação ao outro são sintomas sociais alicerçados na violência cotidiana, tanto em espaços públicos quanto privados. “Somos levados a nos proteger apenas em relação ao espaço da rua, como se o que devemos evitar é a ocupação e o convívio no espaço público. Essa paranoia social é resultante de uma lógica excludente ou sectária que estratifica segmentos populacionais a partir da origem de suas classes sociais. Determinadas camadas sociais estão fechadas no espaço que lhes compete ocupar, sendo muito pouco questionada a motivação dos habitantes desses aglomerados para estarem onde estão”, diz.

Para ela, a violência e as condições subumanas da maioria das cidades nos colocam a urgência de uma reflexão multidisciplinar. E aí as noções entre privado e o público se complexificam. Os limites entre as noções de proteção e de invasão atualmente são muito tênues, temporários e relativos a determinados pontos de vista. “Se olharmos esses mesmos conceitos em uma favela ou um condomínio de luxo, veremos alguns atores sociais, como traficantes e policiais, que atuam invadindo ou protegendo, ora em um, ora em outro caso, a serviço de seus interesses. Por outro lado, no âmbito do mundo privado, a realidade da violência doméstica, independentemente da classe social, demonstra altíssimas estatísticas em que mulheres e crianças são as vítimas preferenciais dos homens com laços mais próximos na família”, aponta.

A psicóloga social salienta, no entanto, que isso acontece no espaço sagrado da casa, lugar preconcebido como relativo à proteção entre seus iguais. “Parecemos identificar com mais facilidade o fenômeno da violência como próprio ao espaço público, lócus do convívio entre estranhos. Quanto mais estivermos convivendo apenas entre iguais, mais difícil será crescer e transformarmo­-nos. Somente a experiência do confronto com a diferença nos desafia a um verdadeiro diálogo com esse outro, que será igual a mim quanto mais conquistarmos, juntos, nossa cidadania a partir da vivência da ética e da solidariedade nas relações pessoais”, analisa. A especialista acredita que, atualmente, o que corre perigo é a sociabilização, ou a capacidade de estarmos em convivência social. “Na vivência grupal e comunitária, o outro deveria ser um espelho para alguém que necessita ver­-se, e ambos, ao se reconhecerem mutuamente, se tornariam sujeitos donos de sua história. Há uma correlação importante aí: nossos interesses constroem nossas cidades e vice­-versa. Desse modo, espaços de convivência deveriam facilitar encontros humanos intensos e positivos que desenvolvessem a sensação de pertencimento àquilo que nos é comum, nesse contexto que é de todos. Mas estamos desconectados de nós mesmos, dos outros e da responsabilidade diante da vida desse lugar, que deveríamos ver como tendo alma. Como diz James Hillman, psicólogo junguiano, temos que devolver a alma ao mundo. A violência social seria resultado disso”, alerta.

Ela acredita que está mais do que na hora de pensarmos numa “Cidade Subjetiva”, como propõe Jacob Levi Moreno, psiquiatra criador do Psicodrama e da Psicoterapia de Grupo. “Ele dizia que os arquitetos deveriam conhecer sua teoria a respeito de como as pessoas se escolhem nos grupos, assim como criam seus lugares de ocupação e a forma como vivem neles. Ao planejarem uma cidade, deveriam considerar os fluxos de afetos que entram e saem das instituições, observando-se a proximidade de determinadas pessoas e casas, e as relações sociais advindas daí. Estes seriam alicerces de prédios não apenas de concreto, mas igualmente construídos a partir de motivações conscientes e inconscientes de seus cidadãos. Redes sociais são esses fios de afetos que se tecem numa verdadeira comunidade. O ato de perceber, base do nosso desenvolvimento psicossocial, está relacionado a como forjamos nossa auto ­imagem e ao modo como nos colocamos diante de nossas escolhas, aspectos fundamentais de uma biografia. Se nossa experiência existencial resumir-se a perceber apenas o que o mercado impõe, quem puder consumir usufruirá o mais possível, guardando-se em castelos monitorados por câmeras e seguranças. Assim, acreditaremos que a solução para o caos social é o fechamento em fortalezas, o armamento e a blindagem de automóveis. Enquanto isso, nossa blindagem afetiva nem será pensada, pois ficará recalcada, aparecendo como uma máscara sob forma de sintomas psíquicos.  Sempre nos restarão consultórios em que psicólogos e psiquiatras estarão seguros entre quatro paredes, oferecendo tratamentos igualmente tranquilizantes”, finaliza."

 

Imagem: croqui ilustrativo sem escala retirado do site VIVER

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Como projetar uma praça

Hoje no Blog Arquitetemos estou inaugurando a seção "Como Projetar..." Ela vai estar aqui com o propósito de apresentar os parâmetros para a projeção de uma obra específica. Para a inauguração, eis que irei apresentar os quesitos básicos e detalhes que devem ser pensados e levados em consideração na hora de projetar uma praça pública ou privada.

Vamos lá?

Como projetar uma praça

1- Função. Em primeiro lugar deve-se saber qual a real função da praça. Pode ser uma praça para leitura, para tomar sol, para receber pequenas bandas, para recreação infantil, para caminhada... Defina a função da praça para chegar ao objetivo final com mais facilidade.

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2- Localização. O entorno da praça deve ser levado em consideração para ela ser mais desfrutada. Uma praça localizada perto de uma escola ou perto de comércio lojista, por exemplo, deve ter um espaço para barraquinhas de cachorro-quente ou carrinhos de sorvete que serão muito requisitados na saída da aula ou no verão.

3- Topografia. Um terreno 100% plano é algo bem difícil de se achar. No caso, isso não é problema algum quando se tiver criatividade o bastante para aproveitar cada declive e aclive do terreno. Utilize de degraus ou escadas pequenas ou rampas suaves para se alcançar os diferentes platôs. Aterrar todo o espaço para se ter um local plano não é interessante. É importante lembrar que, nos espaços em que o terreno ficou inclinado, não daria certo colocar bancos de descanso, pois mesmo que muito pequena a inclinação, ao se sentar no banco isso se tornaria perceptível e desconfortável.

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4- Paisagismo. A escolha das plantas deve ser condizente ao clima do local e à função do local. Certas flores atraem insetos perigosos e algumas folhagens necessitam de atenção especial por acumularem água facilmente. Plantas que dão flores brancas atraem morcegos, portanto, não deve ser utilizado se a função da praça será receber pessoas à noite. Árvores com grande copa fazem boa sombra às crianças que estarão brincando e aos que buscam uma caminhada. Mas se a praça tiver um espaço para banho de sol, árvores com pequena copa arborizam e permitem maior entrada da luz. Atenção também à grama: há espécies que resistem mais ao pisoteio e respondem diferente de acordo com a intensidade do sol. Lembrando que a primeira função da praça é arborizar uma parte da cidade e escoar a água da chuva; se for necessário cimentar uma parte do solo, há placas porosas que não impermeabilizam o terreno e nem deixam poças.

5- Elementos decorativos. Bancos, grades, playground, postes... Tudo deve ter a devida atenção na hora da implantação. Bancos com pontas agudas se tornam perigosos em praças com playground, árvores caducifólias exigem limpeza constante, espelhos d'água se tornam perigosos em local de intensa transição, coretos podem ser um porto morto se não houver outros atrativos no local…

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Para finaliza, gostaria de lembrar um exemplo que li em um livro¹ onde se tratava da recuperação de uma praça pública de Lima, capital do Peru. O governo “embelezou” os espaços públicos e resolveu expulsar a população andina que usufruía da praça como local de comércio e sociabilidade. Porém, a imposição do uso contemplativo das praças e parques inibiu a preservação do significado original e da função que esses lugares adquiriram para a população limenha. Obviamente, o projeto que excluía a população da sociabilização não agradou e o espaço se tornou praticamente um ponto inútil na cidade.

 

Fontes: Croquis retirados do site Vitruvius

[¹] P.P. Funari e S.C.A. Pelegrini “Patrimônio histórico e cultural” – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Porque estudar Arquitetura

Você pode ler mais a respeito em PORQUE ESTUDAR ARQUITETURA pt.2

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Algumas pessoas me perguntam como foi que escolhi Arquitetura, qual a diferença entre engenharia ou quais devem ser as qualidades desse estudante. Perguntam se é puxado, se vale a pena, se o mercado está necessitando… Para essas perguntinhas pertinentes e que fazem a gente cansar de responder, resolvi fazer este post.

Antes de eu começar a estudar Arquitetura, vivia pesquisando na internet sobre coisas que me interessavam. Na realidade nunca havia admitido que queria fazer Arquitetura. Eu havia feito o técnico em Edificações e não tinha gostado… era muita matemática, uma coisa de outro mundo e que não me agradava. Imaginava que Arquitetura seria a mesma coisa maçante e chata.
Quase nada me agrada e eu nunca consigo gostar de algo específico. Quando me perguntavam qual a matéria que eu mais gostava no colegial eu nunca sabia responder… todas me atraiam e traiam!

Notando que eu não conseguia me apaixonar por nada em específico, fui pesquisar graduações amplas, que englobavam várias matérias diferentes e que, de alguma forma, nunca me faria enjoar. Achei a Arquitetura.

Pelo fato de não ter gostado do técnico em Edificações, como já mencionei, eu iniciei, contra gosto, a graduação em Arquitetura.
Nos dois primeiros meses, confesso, tive muita vontade de largar. Eu não conseguia gostar, era tudo abstrato de mais para mim, novo de mais, puxado de mais. Mas foi no 2°bimestre, com o primeiro projeto, que eu me convenci que não poderia ter escolhido curso melhor.

A graduação engloba quase todas as matérias que temos no colegial: história, geografia, geopolítica, sociologia, arte, matemática, física e botânica (no paisagismo). Para mim que não sabia nem gostar nem odiar as matérias foi um prato cheio.
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O curso é puxado e isso, acredito eu, seja pelo fato dele ter essa grade tão flexível. Para ser aluno e futuro bom profissional é preciso ser muito curioso; ter muito jogo de cintura; ter noção espacial; senso crítico (tem que ser chato mesmo); ter espírito altruísta (não adianta ser Arquiteto e pouco se importar com os problemas sociais); ser mente aberta, estar aberto às novidades; tem que ser sociável e como já dizia Sir.Nikolaus Pevsner “Um Arquiteto não pode existir em oposição à sociedade”.

Quem não sabe desenhar, só sabe fazer aqueles homenzinhos palito, não chore: noções de desenho são ensinadas no curso. O importante é ter ideias! Ser extra criativo e nunca se prender numa só forma como a do pseudo-modernismo atual, por exemplo, em que, com medo de errar o Arquiteto esquece de imprimir a identidade na obra e sai sempre aquela caixa branca que ele tem a coragem de chamar de casa… E a matemática… ah, a matemática… ela, apesar de ser ensinada no curso (assim como as noções básicas de desenho) vai te fazer chorar muito. Essa é a mais pura verdade… ossos do ofício, fazer o que?

O que você tem a ganhar estudando Arquitetura? Bem, aparentemente um bico-de-papagaio, dores no ombro e dentes amarelados de tanto tomar café. Aparentemente, eu disse.

As coisas, e isso vale para qualquer curso, quando feitas com amor e com vontade deixam de ser custosas. O que você vai receber em troca por estar fazendo Arquitetura é muito particular. A felicidade boba de ver seu rabisco projetado no AutoCad e exposto na feira de profissões, todo o conhecimento que você adquire e quando você faz uso dele em um projeto…Seus pensamentos tomando forma, as soluções que você imagina para a sociedade…essas coisas são singulares. Não me venha perguntar de mercado de trabalho! Quem esperava a crise de 69 e a crise que acabamos de deixar? O mundo muda muito rápido, olhar para o mercado para escolher o curso é algo totalmente mesquinho e pequeno. Além do mais, olhar para o mercado para escolher o curso é algo completamente errado: se fazer o que a gente gosta já é difícil, imagina fazer aquilo que não gostamos?!
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Talvez a pergunta mais recorrente quanto à Arquitetura é qual a diferença com o curso de Engenharia ou qual a semelhança entre Design de Interiores.

Para ser direta: um bom Designer de Interiores estudou primeiro Arquitetura, depois de especializou. Partindo do princípio que o Designer de Interiores é diferente de Decorador: o Designer pode intervir no projeto e tem como principal objetivo atender as necessidades dos seus clientes com um jogo de luz, cores, buscando a melhor ventilação, o melhor layout, o maior conforto dentro da funcionalidade do ambiente. O Decorador fez um curso rápido e geralmente só é habilitado a escolher objetos para compor o ambiente, a etapa final do projeto de interiores.

A diferença entre Arquitetura e Engenharia já é um pouco mais complexa. Quem opta por um curso ou pelo outro, fique claro: opta por cursos diferentes! A Engenharia tem como principal objetivo a execução do projeto. O profissional dessa área participa dos cálculos estruturais, onde é o melhor lugar para se por uma viga, se o segundo piso não vai cair, qual a quantia de ferro e concreto para fazer a cúpula, qual o grau da inclinação… E participa ativamente de grandes obras: edifícios, pontes e outras construções é ele quem deve tomar conta e se responsabilizar por grande parte dos problemas.

Na Arquitetura, além do profissional estar envolvido com o projeto em si, ele se preocupa com os mínimos detalhes e com todo o impacto social da obra.

Tomemos como exemplo a execução de um shopping center. O Arquiteto faz todo um estudo sobre qual a melhor posição das janelas e qual a melhor disposição dos stands. Se preocupa com a acessibilidade, refrigeração, insolação, integração e, é claro, com a estética. O Engenheiro participa do projeto fazendo os cálculos estruturais (o Arquiteto é habilitado a fazer os cálculos, mas a grande maioria contrata Engenheiros para tal), qual a melhor sustentação para os pisos, a quantia de concreto, qual o melhor material… e, além dessa participação importante, ele é quem vai comandar a obra. O Arquiteto, diferente do Engenheiro, sai um pouco do projeto: ele amplia a visão para o entorno da obra, no caso, o shopping. Esse shopping terá qual público alvo? Pessoas da classe A, B, C? Onde esse shopping é localizado, eu faço um estacionamento de mil vagas ou ele é perto do metrô e isso induz as pessoas irem à pé? Esses detalhes são pensados pelo profissional de Arquitetura. Um bom Arquiteto jamais faria um shopping center luxuoso no meio de um bairro desfavorecido ou vice-versa. Essa preocupação com o espaço social é que engrandece ainda mais os profissionais de Arquitetura. Sem contar o plano sustentável que já virou rotina em todo projeto.

Espero que este post tenha esclarecido algumas dúvidas! Lembrando que a melhor forma de escolher qual curso fazer é descobrir do que você realmente gosta e o que quer fazer grande parte da sua vida. Conversar ou até mesmo visitar profissionais já credenciados também é uma ótima forma de tirar essa dúvida tão cruel!
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Croquis em ordem de aparição: Oscar Niemeyer, Norman Foster, Paulo Mendes da Rocha e Renzo Piano.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A origem das favelas

 

Foto-favela

“É absurdo dizer que as favelas

são não-arquitetura. Se alguém faz

uma pintura, mas não é um pintor qualificado,

significa que o que pintou não é uma pintura?”

Sean Scully

 

Os problemas urbanos sempre existiram. As favelas são hoje um dos maiores ícones de subdesenvolvimento das cidades por serem palco da miséria e outros tantos problemas sociais como o tráfico de drogas, a falta de saneamento e salubridade, segregação socioespacial e descaso com a população.

O termo “favela” surgiu após a Guerra de Canudos (1896). Os soldados, ao voltarem ao Rio de Janeiro, ficaram desabrigados pelo fato de terem exigido do Governo casa própria e por lhes terem sido negado. Começaram, então, a habitar temporariamente alguns morros, juntamente com desabrigados e ex-escravos (o primeiro morro habitado foi o morro da Providência). Batizaram de “favela” referenciando uma planta resistente à seca encontrada em morros, no Nordeste, perto da cidade em que combateram.clip_image002[4]

Até então pequena e despretensiosa, a favela cresceu demasiadamente bem com a Revolta da Vacina de Oswaldo Cruz em 1904 no Rio de Janeiro, impondo a destruição dos cortiços. O famoso “bota abaixo” visava o fim dos cortiços a fim de terminar com a varíola e outras doenças que se proliferavam nesse vetor carente de salubridade. No lugar dos quase 1.600 casarões foram construídos edifícios e jardins, e a população desabrigada sem amparo governamental tratou tão logo de buscar abrigo: seu achado foram as favelas, até então provisórias, dos soldados.

Em 1980, com o fim da Ditadura que arrasara cerca de 80 comunidades irregulares, as favelas voltam com mais força com o incentivo governamental de legalização das favelas.

A partir de 1990, já com a verticalização da mesma, podemos associar seu crescimento a diversos fatores como a crescente industrialização; as transformações das relações de trabalho no clip_image005[4]campo; o êxodo rural; a expropriação de pequenos proprietários rurais (reflexo do capitalismo) entre outros. A busca nas capitais por melhores condições de vida fizeram com que as favelas se tornassem um dos maiores problemas urbanos de quase todos os países, sendo mais frequente na América Latina e África. Segundo IBGE, estima-se que em 2020 haverá, em escala mundial, 1,4bi de pessoas morando em favelas com uma renda média de três salários mínimos.

Entre as características desse tipo de habitação no Brasil, podemos destacar:

- apropriação irregular de terreno;

- ausência de segurança, salubridade e saneamento;

- vínculo com o tráfico de drogas e mercado ilegal de armas;

- ausência de instalação elétrica adequada.

Os problemas que a favela acarreta se volta contra a sociedade, inevitavelmente. Apropriando-se irregularmente do terreno, ela segrega a população, incita ao preconceito, expõe a riscos a vida das pessoas que a habitam e degradada o meio-ambiente. A população de favelas fica suscetível a perder seus bens e familiares com deslizamentos de terra e enchentes e o lixo todo produzido por essa população dificilmente é descartado corretamente, poluindo a área. Ainda sem contar os freqüentes conflitos com o tráfico de drogas que fazem da favela palco do crime e da guerra urbana, expondo ainda mais a integridade dos inocentes que lá habitam.

clip_image007[4]Urbanizar a favela ou remove-la? Essa resposta nem o Governo, que vem investindo em políticas de urbanização e ao mesmo tempo de remoção, sabe responder. Nasceram despretensiosamente e sempre contaram com o descaso governamental e social; hoje o tema Favela recebe notoriedade na mídia e ainda há muita coisa para se fazer para melhorar as condições de vida dos usuários desse espaço que padecem sem o direito à urbanização.

Diminuir a segregação socioespacial e garantir um maior conforto e segurança aos favelados é também uma questão que deve ser intervinda pela Arquitetura e pelo Urbanismo, pois além de ser uma tipologia habitacional recorrente na atualidade, ela faz parte da realidade das cidades.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O Brasil e a Copa do Mundo

A Copa do Mundo é nossa!

O ano de 2014 é um ano muito esperado pelos brasileiros apaixonados por futebol, mas enquanto a copa não chega, os que se deleitam são os apaixonados por arquitetura.

Aos 30 de Outubro de 2007, diretamente de Zurique, Suíça, o Brasil foi o país escolhido para abrigar os 64 jogos da Copa de 2014 em 12 estádios espalhados pelo território. Para mostrar que faz bonito não só no futebol, estão sendo reformados 6 estádios e construídos mais 6. O problema é que, com pouco tempo para terminar, muitos deles estão nas fases primárias e outros nem começaram ou estão parados por falta de verba.

A arquitetura de cada dia dá-nos hoje

Não pense que ser um estádio para a copa é fácil! Para ser nomeado tal, é preciso corresponder aos requisitos da FIFA que não são nem poucos nem humildes! Para encarar a responsabilidade de entrar para a história do futebol, os arquitetos rebolaram para fazer um projeto que coubesse às exigências que vão desde o estacionamento até a construção sustentável.

O manual corrente contendo todas as regras de construção do estádio é utilizado desde 2004. Entre os requisitos mais importantes, estão: mínimo de 30mil assentos para jogos internacionais, 50mil para um jogo final de Copa das Confederações e 60mil para a final de uma Copa do Mundo; deve haver hotéis, centros comerciais e aeroporto nas proximidades do estádio. Para maior conforto do público e dos jogadores, o estádio deve estar construindo de forma que o sol não ofusque a visão de ninguém e ao mesmo tempo a cobertura esteja com uma abertura suficiente para insolação e ventilação adequada. No quesito segurança deve haver escadarias, portões e corredores sinalizados e livres de obstáculos; câmeras de vigilância interna e externa e ao menos uma sala de primeiros socorros a qual o público possa acessar facilmente estando dentro ou fora do estádio.

A FIFA também exige gramados com 105m de comprimento por 68m de largura e os assentos devem corresponder a uma medida mínima imposta pela Federação. Além disso, não deve haver barreiras separando as arquibancadas do campo de jogo e todos os torcedores devem ter uma visibilidade perfeita do campo.

Quanto à sustentabilidade, foram apresentadas imposições no mínimo interessantes e que deveriam ser adotadas não só pelos estádios que receberão a Copa. Green Goal é o nome do programa da FIFA para a redução das emissões de CO2 em seus eventos. Focaliza pontos que vão desde a coleta seletiva de lixo à economia de energia com a utilização de painéis fotovoltaicos. Seguindo o pensamento verde, O Estádio de Brasília, segundo um dos autores do projeto o arquiteto Vicente de Castro Mello, a nova arena terá 87% dos pontos na escala de certificação.

“Queremos que a Copa do Mundo da FIFA de 2014 seja considerada os Jogos da Sustentabilidade, tendo destaque para a o papel da capital do país como referência mundial”, afirmou o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

“É importante também ter uma programação de utilização do estádio pois, mesmo parado, ele vai ter gasto com manutenção. Um estádio sustentável com captação de energia eólica ou solar e captação da água da chuva diminui esse gasto.” argumentou o arquiteto Vicente Castro Mello em entrevista à JovemPan OnLine, prometendo que o Brasil não vai ficar devendo quanto à arquitetura.

Os outros estádios que serão reformados além do de Brasília, são: Estádio Castelão (Fortaleza), Arena da Baixada (Curitiba), Estádio Beira-Rio (Porto Alegre), Estádio do Maracanã (Rio de Janeiro) e Estádio Mineirão(Belo Horizonte).

O Mineirão, segundo o arquiteto responsável pelo projeto Gustavo Penna, a reforma visa harmonizar e valorizar a cultura brasileira. A obra, afirma o arquiteto, será trabalhosa já que terão de ser feitos inúmeros reparos para que o estádio esteja de acordo com as regras da FIFA, entre eles rebaixamento do gramado e a construção da cobertura que será de metal e membranas de policarboneto.

Já em Fortaleza, o governo Cearense descartou a possibilidade de demolição do Castelão. Para compensar, o estádio passará por uma reforma “sem as extravagâncias europeias” com o objetivo de revitalizar a área urbanística. “Nós pensamos um estádio como um complexo esportivo-comercial que seja uma centralidade no bairro. Ele nunca será um elefante branco”, aposta Vigliecca, arquiteto responsável. As adaptações serão o aumento do número de assentos e algumas adequações às exigências da FIFA. Para enquadrar às normas do Green Goal, o projeto prevê a instalação de torres de geração de energia eólica e sistema de captação de águas pluviais.

Grama de ouro

O orçamento total das obras apresentado pela Confederação Brasileira de Futebol em 2007 beirava R$ 1,94 bilhão para reformar e construir. O último orçamento atualizado (junho/2011) apresentou a bagatela de R$7bilhões para reformar ou construir. “Este valor deve subir ainda mais, já que boa parte dos contratos não prevê a compra de assentos, refletores, gramados e das intervenções ao redor das arenas.” Argumentaram Rafael Massimino e Diego Salgado, redatores do site Copa2014.

De todas as doze obras, a que mais se encontra adiantada é a do Estádio Mineirão, em BH, apesar da greve dos trabalhadores em junho/2011 que reivindicavam melhores salários (a faixa salarial beirava o salário mínimo). A paralisação aconteceu no estágio de demolição de partes da área externa e colocação de estacas e blocos de fundações para as novas arquibancadas.

A maioria dos estádios se encontra em estágio prematuro levando em consideração o pouco tempo que há até a data final. Quase todos enfrentam problemas com suas respectivas construtoras e, apesar da abundância de recursos que fora liberado para cada um, as obras avançam lentamente. O estádio mais atrasado é o de Natal, o Estádio das Dunas, que após 1 ano de projeto, não teve montado se quer o canteiro de obras.

Sem abrir muita vantagem à frente de Natal, e com um custo nada simplório, o prometido estádio do Corinthians enfrenta problemas com verba. Após o veto da FIFA sobre o Morumbi, a cidade de São Paulo tem a construção da Arena Corinthians como única opção para fazer parte da Copa. Com a decisão tomada em cima hora, a construtora que assinou o projeto ainda dá por “indefinido” o financiamento de R$1bilhão e o sonho paulistano de celebrar a abertura da Copa vai ficando cada vez mais para trás.

O projeto mais caro fica por conta do famoso Maracanã. A reforma de um dos maiores estádios do mundo vai custar por volta de R$1,1bilhão. O alto custo tem uma justificativa: a estrutura do estádio de mais de sessenta anos está comprometida e só a melhoria da mesma acarreta um custo de R$400milhões. Para cobrir o valor total, será feito uma extensão da cobertura, aumento no número de camarotes e a reconstrução da arquibancada inferior. O preço salgado da obra também se justifica pelo fato do “Maraca” ser a sede das cerimônias de abertura e encerramento das Olimpíadas de 2016.

Serão construídos 6 estádio em 6 estados a saber: Cuiabá com Arena Pantanal; Grande Recife com Arena Pernambuco; Manaus, Arena Amazônia; Natal, Estádio das Dunas; Salvador, Arena Fonte Nova e a cidade de São Paulo com a Arena Corinthians.

O fim da festa

Diante de toda essa euforia as mentes são ocupadas pelos transtornos da construção, mas poucas são as pessoas que conseguem ter noção de todo o impacto dessas obras na sociedade. Dentre os pontos positivos e os negativos, fica difícil dizer qual recebe mais notoriedade.

A princípio, todo o gasto com a celebração parece uma pisada de bola, já que os bilhões gastos “para inglês ver” poderiam ser utilizados nas áreas de saúde e educação. Apesar dessa ser uma ótica grosseira, é preciso levar em conta o retorno a curto prazo que o mercado receberá com o fluxo de turistas que, segundo o governo, são previsto 500mil deles injetando cerca de R$3bilhões no nosso comércio. É também esperada a criação de cerca de 20mil novos empregos. A longo prazo temos a valorização dos terrenos a cerca das obras; fato que pode tanto turbinar o comércio quanto selecionar a classe a usufruir do espaço e dividir ainda mais a sociedade.

Para aguentar o fluxo de pessoas durante essa época festiva, o Governo está dispondo de aproximadamente R$8bilhões para o melhoramento da infra-estrutura das cidades sede, como a melhora dos aeroportos e do transporte público. Natal e Fortaleza, por exemplo, antes dispunham de um aeroporto pequeno e agora terão um internacional. Legado esse que é indiscutivelmente de grande valia para a sociedade.

 

Texto escrito em Julho de 2011 para publicação no site de extensão acadêmica VIRAU da Universidade Sagrado Coração, Bauru, São Paulo.

 

Fontes:

http://www.copa2014.org.br/

http://www.portaltransparencia.gov.br/copa2014/

http://pt.fifa.com/worldcup/index.html

sábado, 29 de outubro de 2011

Le Corbusier - Biografia

 

Nascido em La Chaux-de-Fonds, Suíça, aos 6 de Outubro de 1887 e batizado de Charles-Edouard Jeanneret-Gris, Le Corbusier, que adotara o pseudônimo aos 30 anos, é considerado um dos maiores arquitetos do século XX, delimitando com nitidez a arquitetura moderna e causando grande impacto na história da mesma.

Filho de Georges Edouard Jeanneret, gravador de relógio, e de Marie-Charlotte Amelie Jeanneret Perret, musicista, Corbusier levou para suas obras a essência calvinista de sua família que sempre deixou bem acentuado a divisão entre o bem e o mal. Esse reflexo pode ser encontrado no contraste entre sombra e luz de suas edificações, segundo o crítico Kenneth Frampton[¹]. 

                                                         “Meus anos de infância se passaram com meus colegas em meio à natureza. Meu pai, aliás, dedicava um culto corbusier_cropapaixonado às montanhas e ao rio que formavam nosso lugar. Estávamos constantemente nos cumes: o imenso horizonte nos era costumeiro. Quando o mar de nevoeiro se estendia ao infinito, era como o verdadeiro mar – que jamais eu vira. Era o espetáculo culminante. A idade de adolescência é a idade da curiosidade insaciável. Fiquei sabendo como eram as flores por dentro e por fora, a forma e a cor dos pássaros, compreendi como cresce uma árvore e por que se mantém em equilíbrio mesmo em meio ao temporal.” [²]

 1 Estudou na Escola de Arte Aplicada de La Chaux-de-Fonds e se formou gravador e designer de relógios. Aos 18 anos, junto com Louis René Fallet Chapallaz, projetou sua primeira casa, a Villa Fallet que trazia tudo o que aprendera com seu mestre Charles L’Eplattenier, muito ligado a Owen Jones e a Grammar of Ornament.

Seu mestre L'Eplattenier, que o inserira na arquitetura por ter notado o talento do jovem, almejava que seu melhor aluno se tornasse aprendiz de Josef Hoffmann. Para tal, enviou-o para Viena, em 1907, mas Corbusier rejeitou a oferta de trabalho de Hoffmann por ter se afeiçoado mais ao utopismo de Tony Garnier em que a nova arquitetura dependia dos fenômenos sociais. Esse encontro com Garnier somado à visita ao Convento de cartuxos de Ema na Toscana, onde Corbusier ficou admirado pelo espírito comunitário, seria um ponto de transformação na vida e nas obras dele. O seu projeto Immeuble-Villa e quase todos os seus conjuntos residenciais trazem referencias gritantes do convento de Ema.

“…Esse homem sabia que o nascimento iminente de uma nova arquitetura dependia de fenômenos sociais. Seus planos revelavam uma grande facilidade. Eram consequência de um século de evolução arquitetônica na França.” Le Corbusier sobre Garnier[¹].

Em 1908, Corbusier foi empregado de Auguste Perret, em Paris, onde aprendeu o básico sobre concreto armado e foi convencido que aquele era o material do futuro. Ao mesmo tempo, esteve em contato com a cultura clássica parisiense, o que, mais uma vez, frisou o contraste encontrado em suas obras que remonta desde o tempo em que viveu com seus pais.

Com essa bagagem bem variada, em seu retorno a cidade natal em 1909, Corbusier projetou um edifício em concreto armado, com três alas escalonadas de ateliês, com jardins fechados postos em um espaço comunitário central coberto por um telhado piramidal de vidro. Não somente nesse projeto, mas em todos os demais assinados por Corbusier, pode-se ver as inúmeras referencias tipológicas com antecedentes espaciais diversos alinhados numa só concepção de obra. Essa mistura de passado e presente e seu amontoado de experiências postas todas juntas, tornam-se característica marcante do Corvo.

A mando da escola de arte de La Chaux-de-Fond, Le Corbusier viajou à Alemanha (1910) e teve contato com a raiz do Bauhaus, o Deutsche Werkbund e seus principais expoentes como Peter Behrens e Heinrich Tessenow. Construiu, mais tarde, a Villa Jeanneret Père e o Cinema Scala com influencia do Werkbund. Trabalhou no escritório de Behrens, conheceu Mies van der Rohe e, antes de voltar à Suíça, fez uma viagem pela Ásia Menor e aderiu à arquitetura otomana.

Já no ano de 1913, depois do rompimento definitivo com L’Eplattenier, abre seu próprio escritório com o objetivo de se especializar em béton armé. Dois anos mais tarde, junto de Max du Bois, desenvolveu a ideia de reinterpretação da estrutura Hennebique de concreto armado com a Maison Dom-Ino (a base estrutural para suas casas até os próximos 20 anos); e a Villes Pilotis, uma cidade sobre pilastras.

250px-Villa_SchwobA construção da Villa Schwob (1916) ou Villa Turque, foi um resumo feliz de toda sua experiência do sistema Hennebique. Fora a primeira vez que Corbusier empregou seus ainda poucos conhecimentos sobre proporção divina (seção áurea). Com essa criação, deu abertura a mais outras duas casas no estilo palácio: a Villa Burguesa e a habitação coletiva.

Mudando-se para Paris, em 1916, Corbusier conheceu o pintor Ozenfant com o qual desenvolvera a estética do Purismo de forma a abranger todas as formas de expressão. Tal filosofia resultou num ensaio “Le Purisme” publicado em 1920 na L’Esprit Nouveau (revista artística publicada até 1925). Nesse período, nasce a “Esthétique et architecture de l’ingenieur”, a Estética do Engenheiro.

Antes do início da Segunda Guerra Mundial, Corbusier trabalhou com seuMaison Dom-Ino primo, Pierre Jeanneret, desenvolvendo as ideias centrais da Villes Pilotis e Dom-Ino. A Dom-Ino abria um leque de interpretações de diferentes pontos de vistas: ao mesmo tempo que era considerada um recurso de produção, era também um jogo com a palavra “dominó” com suas colunas livres e postas dentro de uma simetria. Com tal efeito da Maison, Corbusier desejava ver essa obra como um objeto a ser produzido em escala: o objet-type.

“Se eliminarmos de nossos corações e mentes todos os conceitos mortos a propósito das casas e examinarmos a questão a partir de um ponto de vista crítico e objetivo, chegaremos à “máquina de morar”, a casa de produção em série, saudável (também moralmente) e bela como são as ferramentas e os instrumentos de trabalho que acompanham nossa existência.” [¹]

Em 1922 vieram, a partir do ideal da Maison Dom-Ino mas com melhorias, a Maison Citrohan e a Ville Contemporaine. A Citrohan surgiu com o pé direito duplo com um mezanino-dormitório para melhor aproveitamento da entrada de luz solar. A concepção da obra ocorreu cinco anos mais tarde, junto com o emprego do purismo cromático na arquitetura, onde a cor das casas tinha grande relevância para obter uma harmonia com o meio exterior.Ville Contemporaine Já a Contemporaine guardava toda a vontade de Corbusier de desenvolver conotações urbanas; almejava um centro administrativo de elite, e cidades-jardim para os trabalhadores na zona industrial, definindo com uma linha gritante aos olhos a parte da classe de elite urbana e proletariado suburbano. Essa cidade idealizada pelo Corvo fora projetada dentro das leis da seção áurea, e representava a divindade no centro comercial, como forma de substituir os templos religiosos.

A Ville Contemporaine era constituída por uma unidade batizada de Immeuble-Villa (célula-base de moradias de grande altura) com o intuito à produção em série e à agregação em alta densidade, sendo mobiliada segundo o purismo dos objets-types; um conjunto equilibrado de objetos populares, artesanais e industrializados que se manifestou contra o movimento Art Deco.

Em 1925, retomou ao tema da villa burguesa, primeiro fazendo a casa Cook, demonstrando Les 5 points d’une architecture nouvelle, seguindo-se a Meyer, Garches e a Savoye (umas das residências mais famosas do mundo). villa-savoye

Essas obras nasceram sob influência da estrutura de Hennebique aplicada na Maison Dom-Ino e das paredes laterais da Citrohan. Todas elas dependiam da sintaxe de 5 pontos, os quais foram os legados mais importantes de Corbusier sobre a nova arquitetura: os pilotis que suspendem a construção acima do solo; a planta livre(sistema viga-pilar) obtida mediante a separação entre as colunas estruturais e as paredes que subdividiam o espaço; a fachada livre, consequência da planta livre no plano vertical, abolindo as ornamentações; a fenêtre en longueur ou janela em fita, a longa janela corrediça horizontal e o terraço-jardim que supostamente recriava o terreno coberto pela construção da casa graças ao concreto-armado, aproveitando a laje como área de lazer.

Os primos Jeanneret desenvolveram, em 1927, o primeiro projeto para estrutura pública de grande escala para SdN (Société des Nations) em Genebra. Apesar de não terem sido escolhidos, o projeto exigira uma nova ótica da parte dos dois: antes estavam acostumados com projetos residenciais, simples e básicos; agora seria necessário a projeção de um palácio. Segundo Kenneth Frampton, esse evento na vida de Corbusier deve ser visto como um divisor de águas por ser o clímax do arquiteto e ao mesmo tempo a primeira crise da carreira. [¹]

Após esse evento, deixando de lado sua ideologia de que o objeto deve seguir os contornos do homem de modo a se aproximar da Estética do Engenheiro, Corbusier abandona a Immeuble Villa e troca pela Ville Radieuse. Um projeto de melhor produção em série, minimizando por completo os espaços e enchendo de funcionalidade. Uma mudança e tanto para quem havia projetado a Contemporaine pregando a divisão de classes e agora vê-se construindo a Radieuse completamente sem preconceitos ou distinção social.

Em 1929, antes de concluir a Radieuse, uma ida de avião ao Rio de Janeiro impressionou pela vista tropical do local. Logo imaginou uma longa estrada à beira-mar, 100 metros acima do terreno dando um espaço proposital para a feitura de residências. Esta mega-estrutura, a última nessa escala, recebeu o nome de Obus e foi concretizada em Argel.

Unite_d'Habitation_(Rightee_2)Algumas passagens pela Rússia em 1930 e seu contato com as moradias do país influenciaram na criação de sua “cidade industrial” que, em 1940 foram reformuladas e deram origem à Unité d’Habitation, uma das mais conhecidas obras de Corbusier que fora construída cinco vezes em três locais diferentes. A construção permitiu o emprego do sistema Modulor. O Sistema Modulor era baseado na razão de ouro e na Sequencia Fibonacci e usando também as dimensões médias humanas (dentro das quais considerou 183cm como altura standard), o Modulor é uma sequência de medidas que Le Corbusier usou para encontrar harmonia nas suas composições arquiteturais. Foi publicado em 1950 e depois do grande sucesso, veio a publicar, em 1955, a segunda edição.

Outros edifícios datados da primeira metade da década de 1930 são: Clarté, Pavillon Suisse e o Edifício do Exército da Salvação. Muito importantes na carreira de Corbusier por mostrar sua desilusão com a produção em série e por mostrar indícios de seu rompimento com a estrutura de concreto e alvenaria. Essa perda da fé na produção da máquina de morar veio, segundo Robert Frishman, quando Corbusier teve contato com cronômetros alemães produzidos em série e se lembrou da magia que produzia os relógios cuidadosamente talhados na cidade em que nascera, La Chaux-de-Fonds. Associou esse pensamento à suas obras e imaginou se uma casa objet-type também não deixava a desejar, comparando com uma casa cuidadosamente pensada em toda a particularidade.

No ano de 1936, Corbusier se reuniu com Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Reidy Alfonso para a construção do Ministério da Educação e Saúde, um marco da arquitetura moderna no Brasil.

Capela-Notre-Dame-du-Haut1A década de 1950, a década que guarda o maior número de projetos arquitetônicos do artista franco-suíço, guarda também uma ícone da arquitetura do Corvo: a Capela de Notre-Dame-du-Haut, em Ronchamp, sua primeira obra religiosa. Com janelas irregulares e paredes grossas curvilíneas, obtém uma cobertura excepcional que causa sensação de redução ou ampliação espacial, dependendo do ponto de vista.

Palacio da AssembleiaOutras obras de grande impacto compreendidas nessa época são os edifícios que deixou na Índia, com o representante principal sendo o Palácio da Assembleia de Chandigard; a Maison du Brésil, prédio que serve como uma embaixada da cultura brasileira em Paris; e o convento de Sainte Marie de La Tourette que traz um espaço aberto, fazendo referência ao fim do claustro.2147

Charles-Edouard Jeanneret-Gris faleceu em 27 de Agosto de 1965, por afogamento no mar Mediterrâneo. Deixou mais de 500 quadros, mais de 40 publicações entre textos, artigos e livros sendo a mais importante a “Vers une architecture”; algumas ícones do design de móveis como a Chaise Longue; e inúmeras obras de arquitetura, sendo por volta de vinte consideradas monumento histórico e quase todas abertas à visitação pública.

Construindo grande parte de seu trabalho através do empirismo, suas primeiras obras foram baseadas na natureza que o rodeava na lembrança da cidade natal. Com o passar tempo, suas viagens às grandes cidades industrializadas fizeram-no apaixonar-se pelo moderno concreto armado. Corbusier foi um dos maiores nomes da Arquitetura Moderna, contribuindo com a evolução da mesma.

 

FONTES:

Bibliográficas

[¹] Frampton, Kenneth “História Crítica da Arquitetura Moderna” 4ª edição Martins Fontes, São Paulo, 2008.

[²] Baker, Geoffrey H. “Le Corbusier – Uma análise da forma” 1ª edição Martins Fontes, São Paulo, 1998

Le Corbusier, “L’Art Decoratif d’Aujourd’hui” trad. Martins Fontes, 1996

Bardi, Pietro Maria “Lembrança de Le Corbusier – Atenas, Itália, Brasil” Nobel, São Paulo, 1984

Virtuais

Fondation Le Corbusier http://www.fondationlecorbusier.fr

Great Buildings http://www.greatbuildings.com/

Orazio Centaro’s Art Images http://www.ocaiw.com

sábado, 11 de setembro de 2010

Arquitetura Gótica

         Você encontra mais sobre Arquitetura Gótica NESTE POST                      
   colonia
Com a primeira aparição na França, a Arquitetura Gótica é uma evolução da Arquitetura Romana e surgiu durante as Cruzadas à Terra Santa. Com o intuito de elevar a humanidade aos céus, estando ao lado de Deus, esse estilo durou 400 anos, antes de ceder lugar a Arquitetura Clássica do Renascimento Italiano.
O marco inicial gótico é ilustrado com a construção da Catedral Beauvais que contou com uma agulha de 150metros que acabou por desabar antes de toda construção terminar.
As Catedrais posteriores não desabaram por conta de um artifício muito engenhoso da época que é elemento arquitetônico fundamental do estilo: os arcobotantes.
Arcobotantes são um suporte exterior que permitem tirar o peso da parede de forma a eleva-las a grandes altitudes e decora-las com os enormes vitrais coloridos.
Outros artifícios com a mesma função dos arcobotantes, são os Arcos Ogivais/Cruzados que distribuiam o peso da abóbada.
Outros elementos arquitetônicos góticos são as gárgulas; esculturas; vitrais; abóbadas, coro e transepto elevados
As gárgulas tem a função de escoar as águas da chuva de forma que ela não escorra pelas paredes para não danificar a mesma. No contexto histórico, havia quem acreditava que as gárgulas protegiam as catedrais ganhando vida noturna.
As esculturas, tanto as de formato peculiar igual a gárgulas, quanto as religiosas, adornam os templos expressando a fé do povo, de forma vertical e quase sempre em colunas e portais.
Os vitrais gigantescos permitem a entrada permanente de luz para que, quem lá entrar, sinta-se iluminado por divindades. Eles também são coloridos com rendilhado de barra e contam a história do Antigo Testamento.
As abóbadas, coros e transeptos elevados simbolizam a aproximação humana com o Céu, subentendendo-se que o templo cristão era o único lugar em que o homem poderia chegar mais perto possível de Cristo.
Os ícones da Arquitetura Gótica podem ser encontrados por toda a Europa, sendo os mais importantes a Catedral de Chartres; Bourges; Notre Dame d'Amiens; Saint Denis; Ulm; Abadia de Westminster e Metz
Linha Histórica_
As Cruzadas são tradicionalmente definidas como expedição militar organizada pela Igreja, para combaterem os inimigos do cristianismo e libertarem a Terra Santa (Jerusalém) das mãos desses "infiéis". O movimento vai do século XI até meados do século XIII.
Tendo como base a intensa religiosidade presente na sociedade feudal, a Igreja sempre defendia a participação dos fiéis na Guerra Santa, prometendo a eles recompensas divinas.
De fronte a tal situação e levando em conta o alto poder da Igreja na época, foram construídas a gigantescas catedrais para venerar a Jesus Cristos.
beauvais-inacabada beauvais
Beauvais inacabada e interior.
bourges Bourges, Juizo Final
Bourges e vitral com a passagem “O juízo final”.
Notre dame Amiens2 Notre dame Amiens
Notre-Dame d’Amiens interior e detalhe vertical externo.
Saint Denis Interior St_Denis_transept_south
Saint Denis interior e vitral transepto Norte.
Rosacea N de Chartres
Rosácea Norte da Catedral de Chartres; o vitral com o mais complexo sistema de arcobotantes.



Fontes
Textos e Imagens: Google, Wikipédia, "A história da Arquitetura - Jonathan Glancey"