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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Arquitetura Gótica

Como eu fiz com o post do Circumponto, resolvi complementar o ESTE POST de Arquitetura Gótica, agora com mais informações acadêmicas.

Preparados? Let’s start…

igrejagotica

O estilo Gótico surgiu no final da Idade Média, por volta do ano 1.100, na Europa, após o período românico. Os constantes saques que ocorriam nessa época fizeram com que a população fugisse dos campos e se refugiassem nos feudos. Elas se organizaram nessas corporações visando um crescimento cultural e chegaram a adquirir um certo orgulho citadino. Lembrando que, por mais turbulenta fora essa época, a Igreja não perdeu sua autoridade.

Considerada o berço do Gótico, a França viu nascer o estilo através da junção do arco ogival (abóbada) com os arcobotantes(que distribuiam parte da carga da parede). Essa combinação deu a possibilidade de se construir paredes mais finas e com mais vitrais.

As características desse estilo são óbvias: construções gigantescas, vitrais coloridos, gárgulas, contrafortes, estátuas, abóbadas, rendilhados, arcos e capitéis característicos.

Há classificadas 8 tipos de abóbadas, abobadagoticasendo essas: abóbada de cruzaria com seis arestas; abóbada de cruzaria com quatro arestas; abóbada estrelada; abóbada de liernes; abóbada colmeia cilíndrica; abóbada corola/leque; abóbada polinervada e abóbada reticulada.

Os capitéiscapitelgotico contam com 6 classificações, sendo: capitel de bulbo (vindo do Gótico Primitivo); capitel com pratos (do Inglês Primitivo); capitel com folhagem (Gótico Tardio); capitel cálice de meia coluna; capitel mísula estátua e mísula com folhagem.

arcogoticoE os arcos recebem até 12 nomes, sendo: arco ogival/abatido/rebaixado; arco normal/equilátero; arco de volta elevada/lanceta; arco trilobado/3 centros/redondo; arco de ponta; arco flamejante e arco flamejante do gótico tardio; arco lombo de asno; arco com dentículos; arco lintal e arco Tudor.

De país para país, o estilo guarda algumas peculiaridades. Na França a fachada dos templos possuem duas torres ornadas com rosáceas; na Alemanha há apenas uma torre central pontiaguda com coruchéu rendilhado; já na Inglaterra, as abóbadas recebem filigranas. A Itália que surgiu mais ou menos nessa época e nem se chamava Itália, repudiava o Gótico. Portanto, essa área da Europa não possui muitas obras desse estilo.

 

arquiteturagotica

 

Dentre as catedrais que receberam grande notoriedade pelo estilo, estão a Beauvais na França, com uma altura descomunal e história que marcou o limite da engenharia civil: sua agulha com 150 metros caiu, mas não por isso a Catedral perdeu seu deslumbre. A Chartres na França conta com complexos sistemas de arcobotantes e vitrais que, segundo Abade Suger, “para os humildes que não sabem ler a Palavra, as imagens nas janelas mostram-lhes em que acreditar”. A Catedral de Ulm na Alemanha conta com as agulhas mais altas do estilo gótico: 150 metros (e nenhuma queda). Famosa pelos arcobotantes, temos a Bourges; famosa pelo rendilhado a St.Denis entre muitas outras.

Por mais que o estilo seja naturalmente francês, é na Inglaterra que se encontram as catedrais góticas mais estonteantes. Isso se dá pelo uso da madeira em seu interior (coisa que não era corriqueira, já que a madeira era usada penas em construções de pouca Angel.Roof.St.Wendredaimportância). Um exemplo é a Sta.Wendreda(imagem), St.Stephen’s Hall e Ely. Outras construções góticas que utilizavam muita madeira eram as casas mais humildes com a técnica do cruck frame e algumas igrejas na Noruega e Suécia (terras com muitas florestas).

Há quem considere o estilo gótico algo totalmente ligado à religião. Não é de se negar que a maioria das construções do estilo seguiam de fato essa premissa, mas outro fator não deve ser dispensado. O progresso econômico e a vontade de exibir o poder eram fatores mais presentes inclusive em edificações cívicas do gótico secular. O Salão de Tecidos de Ypres, o Palazzo Ducale, assim como as prefeituras de Florença e Siena ilustram bem essa afirmação.

Para finalizar, o estilo audacioso considerado a glória da Europa foi se dissipando no Gótico Tardio, por volta do século XVI. A Itália já detinha o Renascimento e as invenções góticas já não existiam mais. Podemos considerar como as últimas obras do estilo a Capela King’s College e a de Henrique VII (ambas na Inglaterra), que já continham traços renascentistas.

 

reims.gotic

 

Fontes:

Google Imagens e Sta. Wendreda gallery - official homepage.

Koch, Wilfried "Dicionário dos Estilos Arquitetônicos”, Martins Fontes, São Paulo.

Glancey, Jonathan. “História da Arquitetura”, Loyola, São Paulo, 2001.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Parc de La Villette – Bernard Tschumi

 

Planta de Parc de La VilleteO Parc de La Villette é um parque localizado em Paris, no 19º arrondissement. Projetado por Bernard Tschumi em 1982, ele é um ícone do desconstrutivismo arquitetônico e abriga, em 25 hectares, o Cité des Sciences et de l'Industrie(Museu de Tecncologia e Ciência) e La Géode(Museu Cidade da Música).

O terreno, no princípio, abrigava um matadouro que, com a sua transferência, fez-se um concurso para eleger o melhor projeto arquitetônico para o local já abandonado. A idéia principal era criar um parque que representasse o século XXI, e Bernard Tschumi foi quem venceu com sua proposta pitoresca.

Na mistura do natural e artificial, o conceito da obra teve por base a Teoria do Desconstrutivismo de Jacques Derrida que surgiu com a “Origem da Geometria” e tem como fundamento a desmontagem/decomposição dos elementos. A desmontagem dos elementos visa o conhecimento já que o arquiteto afirma “a arquitetura não é o conhecimento da forma, mas sim uma forma de conhecimento.”

 

Esquema de alguns Follies de Villete

 

No parque projetado pelo suíço Tschumi, podemos notar a presença de “pontos” vermelhos; os chamados Follies, os elementos mais importantes do projeto. São 35 obras dispostas pelo parque formando uma malha geométrica, postos em intersecções de cubos imaginários de 10x10m e que servem, a princípio, como pontos de referências aos turistas.

Segundo o Arquiteto, estes pontos de referência foram projetados para criarem um vácuo desconstrutivista que possa abolir toda e qualquer relação do passado do terreno com sua forma atual para que os seus usuários vivenciem, sem precedentes, uma experiência com o parque. Os follies são utilizados para recreação e alguns, atualmente, estão sendo modificados para receberem restaurantes.image

Apesar de delicado, é perceptível traços do Niilismo em La Villette de Bernard. O Niilismo tem como base a desvinculação com os conceitos adquiridos para que se chegue a um conhecimento pela indução sem influências externas, e as obras de Bernard têm a essência desse caráter. Como exemplo, podemos relacionar os follies com a indução às descobertas e a desvinculação proposital, mesmo que parcial, com o passado.


Os follies são atrativos que levam as pessoas a fazerem uso de toda a área e, a partir desse artifício, possam entender o parque como um local de descobertas pessoais, atividade e interação dentro dos princípios da organização de Tschumi. Além disso, outra intenção alcançada pelo Arquiteto foi a máxima do movimento. Tendo a arquitetura como resultado da colisão acarretada pela velocidade, o Parc de La Villette exibe bem o conceito de movimento buscando materializar-se nas experiências do parque.

 

Esquema do Desconstrutivismo de Tschumi aplicado ao La Villete

 

Fontes:

Montaner, Josep Maria. “As formas do século XX”, Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2009

Bernard Tschumi, Cinégramme folie: le Parc de la Villette (Princeton Architectural Press, 1987)

Padovano, Bruno Roberto. “Bernard Tschmi”, Out 2001. Diponível em <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/02.008/3344> Acesso em Nov 2011

Kroll, Andrew. “Parc de La Villette/Bernard Tschumi”, Jan 2011. Disponível em <http://www.archdaily.com/92321/ad-classics-parc-de-la-villette-bernard-tschumi/> Acesso em Nov 2011

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Transmissão do futuro - HDA Paris

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Não importa o quanto você rode pelas estradas de diferentes partes do mundo, uma coisa nunca muda: as torres de transmissão  de energia elétrica, com sua treliça pesada de ferro galvanizado que interferem na paisagem bucólica dos campos e deixam uma moldura bagunçada e suja na cidade.

Essa realidade já está mudando na Itália! Batizado de Dancing with Nature, o projeto do parisiense Hugh Dutton (HDA) foi o campeão numa proposta para encurtar as linhas de transmissão de Roma, proposta pela empresa Terna. O projeto modificou os conceitos de torre de energia, interferindo menos na paisagem e utilizando uma quantidade mínima de material para transmitir alta voltagem.

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A grande sacada da proposta é o design flexível que se curva ao vento, fazendo alusão as árvores. As torres de desenho arrojado e contemporâneo se adaptam às diferentes condições de cada terreno, o que proporciona uma paisagem nada monótona, já que não haverá torres iguais.

Embora o custo da concretização do projeto seja maior em relação aos modelos clássicos, haverá uma economia na transmissão.

No vídeo, representação gráfica dos principais projetos para transmissão de energia elétrica.

Fontes: ArchDaily e HDA Paris

domingo, 19 de setembro de 2010

Institut du Monde Arabe (IMA)

O “Instituto do Mundo Árabe” situa-se em Paris e tem como objetivo difundir a cultura dos países Árabes renovando laços com a Europa.

Inserido em uma área de mais de 25.000m², o edifício foi inaugurado em 1987 e abriga um museu, espaços para exibições, uma biblioteca, um centro de documentação, um auditório, um restaurante e oficinas infantis.

Foi projetado pelo francês Jean Nouvel, Gilbert Lezenes e Pierre Soria & Architecture Studio; selecionados em um concurso.

O que mais atrai olhares no prédio é a sua arquitetura moderna, característica de Nouvel. Não é para menos: a obra conta com um jogo de luzes de painéis com diafragma móvel acionado por células fotoelétricas.

A aparência é de mosaicos tradicionais adaptados à arquitetura contemporânea; as janelas são compostos de metal que se dilatam de acordo com as condições de luz exterior. O interior é anfitrião de um efeito de iluminação complexo e incrível, que vaza luz a partir de 30.000 aberturas!!! Devido ao fato da parede cinética estar de frente para o sul, o prédio controla a exposição térmica e a luz interior com um sistema unico.

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Fontes: Google Imagens; Wikipedia Language Beta; RAU Unicamp;

sábado, 11 de setembro de 2010

Arquitetura Gótica

         Você encontra mais sobre Arquitetura Gótica NESTE POST                      
   colonia
Com a primeira aparição na França, a Arquitetura Gótica é uma evolução da Arquitetura Romana e surgiu durante as Cruzadas à Terra Santa. Com o intuito de elevar a humanidade aos céus, estando ao lado de Deus, esse estilo durou 400 anos, antes de ceder lugar a Arquitetura Clássica do Renascimento Italiano.
O marco inicial gótico é ilustrado com a construção da Catedral Beauvais que contou com uma agulha de 150metros que acabou por desabar antes de toda construção terminar.
As Catedrais posteriores não desabaram por conta de um artifício muito engenhoso da época que é elemento arquitetônico fundamental do estilo: os arcobotantes.
Arcobotantes são um suporte exterior que permitem tirar o peso da parede de forma a eleva-las a grandes altitudes e decora-las com os enormes vitrais coloridos.
Outros artifícios com a mesma função dos arcobotantes, são os Arcos Ogivais/Cruzados que distribuiam o peso da abóbada.
Outros elementos arquitetônicos góticos são as gárgulas; esculturas; vitrais; abóbadas, coro e transepto elevados
As gárgulas tem a função de escoar as águas da chuva de forma que ela não escorra pelas paredes para não danificar a mesma. No contexto histórico, havia quem acreditava que as gárgulas protegiam as catedrais ganhando vida noturna.
As esculturas, tanto as de formato peculiar igual a gárgulas, quanto as religiosas, adornam os templos expressando a fé do povo, de forma vertical e quase sempre em colunas e portais.
Os vitrais gigantescos permitem a entrada permanente de luz para que, quem lá entrar, sinta-se iluminado por divindades. Eles também são coloridos com rendilhado de barra e contam a história do Antigo Testamento.
As abóbadas, coros e transeptos elevados simbolizam a aproximação humana com o Céu, subentendendo-se que o templo cristão era o único lugar em que o homem poderia chegar mais perto possível de Cristo.
Os ícones da Arquitetura Gótica podem ser encontrados por toda a Europa, sendo os mais importantes a Catedral de Chartres; Bourges; Notre Dame d'Amiens; Saint Denis; Ulm; Abadia de Westminster e Metz
Linha Histórica_
As Cruzadas são tradicionalmente definidas como expedição militar organizada pela Igreja, para combaterem os inimigos do cristianismo e libertarem a Terra Santa (Jerusalém) das mãos desses "infiéis". O movimento vai do século XI até meados do século XIII.
Tendo como base a intensa religiosidade presente na sociedade feudal, a Igreja sempre defendia a participação dos fiéis na Guerra Santa, prometendo a eles recompensas divinas.
De fronte a tal situação e levando em conta o alto poder da Igreja na época, foram construídas a gigantescas catedrais para venerar a Jesus Cristos.
beauvais-inacabada beauvais
Beauvais inacabada e interior.
bourges Bourges, Juizo Final
Bourges e vitral com a passagem “O juízo final”.
Notre dame Amiens2 Notre dame Amiens
Notre-Dame d’Amiens interior e detalhe vertical externo.
Saint Denis Interior St_Denis_transept_south
Saint Denis interior e vitral transepto Norte.
Rosacea N de Chartres
Rosácea Norte da Catedral de Chartres; o vitral com o mais complexo sistema de arcobotantes.



Fontes
Textos e Imagens: Google, Wikipédia, "A história da Arquitetura - Jonathan Glancey"